Dilma volta a falar em golpe e diz que vê ‘luz no fim do túnel’ na economia
Redação DM
Publicado em 6 de outubro de 2015 às 23:16 | Atualizado há 11 anosBARREIRAS (BA) – Um dia depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , em uma atitude inédita, a presidente voltou a defender sua eleição e reafirmou que, qualquer tentativa de se chegar ao poder que não seja por meio do voto, é golpe. A presidente ressaltou ainda que, apesar das atuais dificuldades financeiras do país, ela já vê “luz no fim do túnel” quando analisa a situação da economia.
Em entrevistas a rádios locais em Barreiras (750 km de Salvador), onde desembarca na tarde desta quarta-feira para a entrega de 2.781 casas do programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente citou o momento difícil da economia brasileira, mas ressaltou que as medidas tomadas pelo governo por meio do pacote de ajuste fiscal já começam a mostrar resultado.
— O que eu acho que está dando resultado? Primeiro, é visível que houve um reajuste no câmbio brasileiro. Muitas pessoas vão sentir efeitos, porque produtos externos vão ficar mais caros. Mas em compensação nossos produtos lá fora vão ficar mais competitivos. Isso explica porque em setembro tivemos um superávit na balança comercial de R$ 10 bilhões. Além disso, estamos fazendo imenso esforço para reduzir a inflação. A tendência da inflação é de queda, reconhecida pelo mercado. Eu estou vendo luz no fim do túnel — disse Dilma.
A presidente evitou responder sobre a que deve ocorrer nesta tarde.
Durante a entrevista, Dilma não citou especificamente o TSE nem o PSDB, . Porém, declarou que é um desserviço para a democracia tentar encurtar mandatos de quem foi eleito.
— Temos uma democracia. A base é o voto direto nas urnas. Impossível achar que fazemos um serviço para a democracia tentando métodos para encurtar a chegada ao governo. O único método reconhecido (para chegar ao poder) é o voto direto nas urnas — declarou.
— Acho que a nossa democracia é forte o suficiente para impedir que variantes golpistas tenham espaço no cenário político brasileiro — concluiu.
Além das ações no TSE que podem resultar na cassação do mandato de Dilma e do vice-presidente Michel Temer, há pedidos de impeachment que tramitam na Câmara dos Deputados. Mas, nesse caso, dizem respeito apenas a Dilma.
PRESIDENTE EVITA TEMAS POLÊMICOS
Ao ser indagada pelos entrevistadores sobre três episódios políticos que devem concentrar a atenção no governo no dia de hoje – a apreciação de vetos pelo Congresso, a votação das pedaladas fiscais pelo TCU e a ação que o Planalto move no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o TCU não vote as contas de 2014 – Dilma falou apenas sobre os vetos e evitou a polêmica.
— Este é um dia importante, mas é como um caminho que estamos trilhando para construir uma solução e atravessar o mais rápido possível esta situação de dificuldades que vivemos. Sabemos que Brasil precisa crescer, melhorar e ter novas oportunidades para as pessoas poderem melhorar de vida — disse.
— Hoje tenho uma ação dupla. No Congresso, o que vai ser apreciado são vetos que coloquei em algumas leis, impedindo que haja aumento de gastos neste momento que precisamos conter as despesas. Ao mesmo tempo, vou inaugurar casas para as pessoas — afirmou.
Ela procurou explicar que seu governo está tentando reequilibrar o orçamento, mas também não falou sobre a proposta de recriar a CPMF, o que significa aumento da carga tributária. Em vez disso, preferiu falar de cortes de despesas.
— Essa situação reflete bem o desafio que estamos vivendo. Ao mesmo tempo que temos de tomar medidas para reequilibrar nosso orçamento, temos de reduzir a inflação para que o país cresça. Ao mesmo tempo, temos de manter programas sociais e investimentos. Esse é nosso desafio: não voltar para trás, garantir programas sociais.
Ela disse que seu governo não está parado e enumerou algumas ações na área social, sobretudo na Bahia, que estão em andamento. Dilma também aproveitou para falar do corte de ministérios e de salários de ministros, do vice-presidente e dela mesma.
— Não estamos parados. Estamos fazendo essas duas coisas. De um lado, buscamos resolver nossas despesas. Sexta-feira anunciei uma reforma ministerial, cortei oito ministérios e 30 secretarias nacionais e cortei nossos salários em 10%. A gente tem feito um esforço. E tem dado resultado.