‘Brasil corre o risco de ficar mais isolado’
Redação DM
Publicado em 6 de outubro de 2015 às 03:06 | Atualizado há 11 anosRIO – Ex-cônsul geral do Brasil em Xangai, o diplomata Marcos Caramuru de Paiva afirma que o Brasil corre o risco de se isolar dos fluxos de comércio global com o avanço de acordos regionais. Caramuru dará palestra hoje na Casa do Saber sobre China e acordos internacionais de comércio.
O que muda no comércio global com o acordo transpacífico?
Há três grandes acordos que podem mudar a cara do comércio global. Além do TPP, o transatlântico (EUA-União Europeia) e o pacto entre China, Japão e Coreia do Sul. O TPP fortalece o mercado asiático. Agora, possivelmente, a China buscará acelerar o acordo com Japão e Coreia, independentemente das questões políticas.
A China pode entrar no TPP?
A China nunca disse que não entraria e sempre viu o TPP como uma tentativa americana de aumentar sua interação econômica com a Ásia. Mas não vejo, a curto prazo, o país aderindo. Os laços comerciais da China com esses países que assinaram o tratado já são muito fortes. O sudeste asiático já está integrado à cadeia produtiva chinesa.
O Brasil pode ficar isolado?
Não há dúvida. O Brasil sempre acreditou nos acordos via OMC, que são globais e estão se tornando cada vez mais inviáveis. Corremos o risco de ficarmos mais afastados dos fluxos internacionais de comércio.
Como ficam os acordos multilaterais, como a Rodada de Doha?
Há duas visões. A primeira é que pode ficar um pouco mais fácil avançar em Doha, mas a negociação global ficaria altamente influenciada pelos termos do transpacífico. A outra, com a qual compactuo, é que o TPP vai estimular outros acordos regionais, sobretudo na Ásia.