Cotidiano

Dilma diz que nova configuração do governo busca o equilíbrio

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2015 às 02:08 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que ela e sua equipe estão dando sua contribuição para o Brasil sair da crise, e que a nova configuração do governo busca mais equilíbrio. A declaração foi dada no discurso de posse dos dez novos ministros anunciados na última sexta-feira, como parte da reforma administrativa feita pelo governo para reorganizar os espaços dos aliados na Esplanada. A intenção do Executivo é buscar a pacificação política junto ao Congresso, onde tramitam medidas populares e pedidos de impeachment contra Dilma.

A presidente lembrou do corte em seu próprio salário, e da busca pelo equilíbrio da coalização partidária que a elegeu, o que já tinha mencionado na semana passada, quando anunciou as mudanças:

— Nós demos nossa contribuição com o corte de nossos salários. A reforma prevê a revisão de contratos e o aprimoramento do uso de imóveis. Esse conjunto de ações se inicia agora, mas terá novos desdobramentos. Buscamos atender à exigência justa e atual por um Estado mais eficiente, mais focado e mais capacitado para garantir a parcimônia em seus gastos. Queremos garantir mais equilíbrio à coalizão que me elegeu e que deve governar comigo — afirmou Dilma, reforçando mais uma vez que as mexidas na Esplanada são algo natural da democracia e que visam à atender às demandas da população.

Os dez ministros que assumem os cargos são: Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) Miguel Rossetto (Ministério do Trabalho e Previdência Social), Nilma Lino Gomes (Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos), Marcelo Castro (Ministério da Saúde), Aloizio Mercadante (Ministério da Educação), Jaques Wagner (Casa Civil), Aldo Rebelo (Ministério da Defesa), Celso Pansera (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), Helder Barbalho (Ministério dos Portos), e André Figueiredo, (Ministério das Comunicações).

Dilma agradeceu a dedicação dos ministros que não farão mais parte do governo e aos que assumem novas funções, disse que será exigido deles muito trabalho. E pediu que façam muito, com menos recursos. A todos pregou que dialoguem com o Congresso, com governantes nos estados e municípios, com os partidos e com a população.

A Jaques Wagner, recomendou que seja “parceiro de todos os ministros”. A Berzoini, disse que sua tarefa é “dialogar muito e sempre”. A Mercadante, a quem chamou de “amigo”, disse ele volta ao MEC para “ dar sequência ao nosso compromisso maior de fazer do Brasil uma pátria educadora”.

Dilma disse ao fim de sua fala, que a nova equipe terá de ajudá-la na missão de tirar o país da crise econômica por que passa o mais rapidamente possível.

— São muitas as tarefas. Tenho certeza de que esse novo time irá executá-las com excelência e dedicação, assegurando à população que estamos movidos por um propósito único fazer o mais rapidamente a travessia para uma nova etapa de crescimento — afirmou.

Bastante concorrida, a cerimônia de posse coletiva lotou o Salão Nobre, o maior do Palácio do Planalto, e contou com a presença de padrinhos políticos de vários dos que hoje assumem ministérios, como o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira; o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani; e o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Além de unificar ministérios e nomear novos chefes para as pastas, a presidente anunciou na semana passada outras cinco medidas para racionalizar os gastos do governo: a redução de oito ministérios, um corte de 10% em seu próprio salário e nos salários do vice e dos ministros, a extinção de 30 secretarias em todos os ministérios, o fim de 3 mil cargos de confiança e a redução de 20% nos gastos em custeio. Também serão limitados os gastos dos funcionários com viagens e telefone e vendidos imóveis da União. As medidas foram tomadas para mandar uma mensagem política ao Congresso de que o governo está cortando na própria carne.

No mês passado, Dilma lançou um pacote de ajuste fiscal que prevê cortes de R$ 26 bilhões nas despesas do governo e cria novas fontes de receita, como a CPMF. O pacote depende, grande parte, da aprovação dos parlamentares.

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