Parlamento russo aprova envio de tropas para a Síria
Redação DM
Publicado em 30 de setembro de 2015 às 06:45 | Atualizado há 11 anosMOSCOU — O Parlamento russo concedeu nesta quarta-feira permissão ao presidente Vladimir Putin, por unanimidade, para deslocar as forças militares do país na Síria, dois dias depois de ele apelar por uma coalizão internacional contra o Estado Islâmico. Segundo o chefe de gabinete de Putin, Sergei Ivanov, a medida é em resposta a um pedido do presidente sírio, Bashar al-Assad, que pediu ajuda a Moscou para combater grupos terroristas.
— O presidente da Síria pediu assistência militar à liderança do nosso país — disse Sergei Ivanov, chefe de administração do Kremlin, depois da votação rápida em uma sessão fechada no Conselho da Federação, a Câmara alta do Parlamento russo. — O principal objetivo é lutar contra o terrorismo e apoiar as autoridades legítimas na Síria.
Entretanto, Ivanov esclareceu que a votação não supõe que as forças terrestres russas irão se engajar no conflito, e que o uso militar se refere apenas à força aérea do país.
— Se houver uma coalizão unida, o que eu duvido, ou no fim duas coalizões – uma americana e uma russa- elas vão coordenar suas ações. Para as forças russas operarem lá legitimamente era necessária uma lei — disse Ivan Konovalov, um especialista militar, à Reuters.
A Rússia aumentou nas últimas semanas sua presença militar na Síria, principalmente ao redor da cidade portuária de Latakia. As ações provocaram preocupação no Ocidente, que questiona os objetivos russos no país. Enquanto Moscou apoia as forças de Assad contra os extremistas do EI e rebeldes do regime, as nações ocidentais condenam as ações do presidente. Na segunda-feira, inclusive, Barack Obama chamou Assad de tirano, acusando o líder sírio de “matar seu próprio povo”.
Alguns meios de comunicação do Oriente Médio disseram que aviões militares russos já começaram os ataques aéreos na Síria. O Kremlin negou-se a confirmar esta informação.
A última vez que o parlamento russo Putin garantiu o direito de enviar tropas ao exterior, uma exigência técnica da lei russa, foi quando Moscou anexou a Crimeia no ano passado.