Cotidiano

Escritório de Direitos Humanos da ONU critica execuções em São Paulo

Redação DM

Publicado em 16 de setembro de 2015 às 16:39 | Atualizado há 2 anos

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

O Escritório para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidos para os Direitos Humanos condenou hoje (16) a execução de dois jovens suspeitos de roubo por policiais militares no Butantã, na zona oeste da capital paulista. O crime ocorreu segunda-feira (7). Um vídeo de uma câmera de segurança mostrou Paulo Henrique Porto de Oliveira sendo rendido, revistado, algemado e depois baleado pelos policiais. Já Fernando Henrique da Silva é visto em imagens sendo arremessado do telhado de uma casa por um policial. Os policiais alegaram que ambos foram mortos em um tiroteio.

Em nota, o representante do escritório da ONU para a América do Sul, Amerigo Incalcaterra, pediu que  os fatos sejam investigados exaustiva e imparcialmente. “É essencial que as execuções extrajudiciais sejam investigadas por um órgão independente da Polícia Militar de São Paulo. Só assim se pode evitar que os responsáveis fiquem na impunidade”, disse Incalcaterra.

“Esse tipo de fato recorrente evidenciaria uma cultura institucional de violência e impunidade nas polícias. Por isso, chamo as autoridades a revisar a doutrina e o funcionamento das forças de segurança do país, além de investigar, julgar e sancionar os responsáveis por essas condutas”, acrescentou Incalcaterra, que ainda solicitou que os policiais sejam treinados para agir segundo os protocolos internacionais de respeito aos direitos humanos. 

Ontem (15), em entrevista à Agência Brasil, o ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, disse que há fortes evidências da existência de grupos de extermínio na corporação. Segundo Neves, os grupos de extermínio continuam existindo dentro da polícia paulista porque não há punição por esses crimes.

Editor Nádia Franco

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