Brasil

Autismo e família

Redação DM

Publicado em 26 de agosto de 2015 às 22:07 | Atualizado há 11 anos

Normalmente, o primeiro contexto no qual todos nós estamos inseridos, é o contexto familiar, não podemos então, falar de nenhum de nós, sem considerarmos o que nossos pais esperam de nós, os nossos avós, os nossos irmãos! Porque, na verdade, nós carregamos muito de todas essas expectativas em cada uma de nossas atitudes e crenças.

E isso não é diferente quando falamos de uma criança com o Transtorno do Espectro Autista.  Para essa criança também foram feitos planos, o pai queria jogar futebol com seu filho aos domingos e a mãe com certeza esperava que sua princesinha se tornasse uma talentosa bailarina… É difícil para esses pais, avós, tios, tias e irmãos entenderem que o autista até pode fazer tudo isso, mas de um modo muito particular.

Toda expectativa quebrada, gera frustração. Nas crianças com o espectro, muitas vezes, essas frustrações acarretam suas famílias cedo demais, e em questões muitas vezes, banais. Estou falando do contato olho a olho, da sensibilidade ao toque, da decodificação de símbolos sociais, dificuldade de comunicação.

Não quero aqui rotular o autista com todas essas características, o espectro tem suas variações no que diz respeito tanto aos comportamentos dessas crianças quanto ao “nível” dos mesmos. Muitas crianças autistas vão ser conhecidas a vida toda como crianças tímidas, outras, no entanto, vão ser chamadas de estranhas e esquisitas.

O que essa família não pode esquecer é que seu filho ou filha não é uma criança “errada”, só estamos falando de uma criança diferente das que normalmente conhecemos. Essa criança ama, brinca, sorri, acha graça, fica triste. Ela só não funciona como a maioria das pessoas. O que não a faz melhor ou pior, apenas diferente.

Cabe a cada um de nós, familiares, amigos, pessoas que amam um autista, trabalhar com ele da forma como Ele trabalha. Motiva-lo com motivadores que o motivem, o que muitas vezes não vai nos motivar. Lembrando sempre que estamos falando de pessoas capazes, tanto quanto todos nós “normais”; que devem ser respeitadas e encorajadas, porque temos dificuldade de lidar com um diferente, e para ele, que todos nós somos os diferentes?

O objetivo então é potencializar essa criança por meios que de algum modo, é ela quem vai estipular, e assim promover o desenvolvimento dela. Não existe nenhuma limitação cognitiva, apenas interacional. O que torna o processo “mais fácil”, pois a partir do momento que a relação se torna possível, o desenvolvimento é alcançado.

 

(Juliana Hannum, professora, doutora, do Depto de Psicologia PUC-Goiás/ Flávia Mota, estudante de Psicologia PUC-Goiás / Francielle Ataides, estudante de Psicologia PUC-Goiás)

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