Sem cargo na CBF, filho de Gilmar Mendes mostra influência nos bastidores do futebol brasileiro
Léo Carvalho
Publicado em 9 de julho de 2026 às 09:30 | Atualizado há 57 minutos
Francisco Schertel Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes, tem influência direta na CBF presidida por Samir Xaud | Foto: Montagem/IA
Mesmo sem ocupar qualquer cargo na diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, tornou-se um dos nomes mais influentes nos bastidores da entidade. A avaliação foi publicada nesta quinta-feira (9) pela colunista Thaís Bilenky, do UOL, que descreve o dirigente como uma das principais figuras de articulação política do futebol brasileiro.
O protagonismo de Francisco Mendes ocorre em um momento de instabilidade institucional na CBF, marcada por disputas judiciais, mudanças na presidência e investigações envolvendo antigos dirigentes. Nesse cenário, dirigentes de federações estaduais e pessoas ligadas à administração do futebol apontam que sua capacidade de interlocução cresceu significativamente.
Embora não integre a diretoria da CBF, Francisco ocupa, desde janeiro de 2026, a vice-presidência da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF). O cargo lhe garante participação na assembleia geral da confederação, órgão responsável por decisões estratégicas, incluindo eleições e alterações estatutárias.
Além disso, ele integra o Comitê Disciplinar da FIFA, posição que amplia sua presença no cenário internacional do futebol e fortalece sua rede de relacionamentos dentro das estruturas de governança esportiva.
Influência além dos cargos
A análise publicada pelo UOL sustenta que a influência de Francisco Mendes vai além das funções formais que exerce. Segundo a reportagem, ele passou a participar de articulações envolvendo dirigentes estaduais, presidentes de clubes e integrantes da própria CBF, tornando-se um interlocutor frequente em decisões relevantes para a entidade.
O crescimento dessa influência ocorre paralelamente às mudanças no comando da confederação e às discussões sobre o futuro da gestão do futebol brasileiro.

Relação entre IDP e CBF segue sob debate
Outro ponto que mantém Francisco Mendes no centro das discussões é a parceria entre a CBF e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes e atualmente dirigido pelo filho do ministro.
O instituto administra a CBF Academy, braço educacional da confederação responsável por cursos de formação de treinadores, árbitros e gestores esportivos.
A existência desse contrato já foi alvo de questionamentos sobre eventual conflito de interesses, principalmente porque Gilmar Mendes participou de decisões no STF relacionadas à CBF. O ministro sempre afirmou não haver impedimento, sustentando que o contrato do IDP possui natureza privada e não interfere em sua atuação na Suprema Corte.
Bastidores ganham peso
A ascensão de Francisco Schertel Mendes evidencia uma característica recorrente na política do futebol brasileiro: a influência nem sempre está concentrada em quem ocupa os principais cargos executivos.
Em um ambiente marcado por alianças entre federações estaduais, disputas de poder e negociações permanentes, o peso político de determinados dirigentes pode superar as atribuições previstas formalmente nos estatutos.
A reportagem do UOL insere Francisco Mendes justamente nesse contexto, apontando que seu protagonismo decorre menos da posição institucional e mais da capacidade de articulação construída nos bastidores da principal entidade do futebol nacional.