Dança dançar
Redação DM
Publicado em 25 de agosto de 2015 às 23:31 | Atualizado há 11 anosO movimento é uma forma de expressão talvez tão descritiva quanto a própria fala. Andar, parar, acenar com a mão ou até sentar meio curvado, cabeça baixa, durante uma tarde de trabalho, todas estas expressões do corpo podem apresentar o interior de uma pessoa. A linguagem corpórea seria, portanto, uma forma de se comunicar no nível não verbal, ou seja, sem a fala. Dentro desse termo estão os gestos, a postura, expressões faciais, movimentos dos olhos e, é claro, o movimento dos membros e tronco.
O estudioso Charles Darwin seria o primeiro a tratar em termos científicos as expressões do corpo. O livro A expressão das emoções em homens e animais foi escrito em meados do século XIX e, de lá pra cá, já se sabe uma gama de coisas que vão além do que é tratado neste livro. Darwin defendia que os mamíferos demonstravam suas emoções através de gestos faciais. Acredita-se que a linguagem corporal tenha sido a primeira forma de comunicação entre os seres humanos e é também a forma como podemos nos comunicar (em algum nível) com outras espécies.
A linguagem fora da boca, fora do português ou de detalhes da fala é um dos focos do grupo ¿Por quá? A experiência do corpo, do estar livre para se sacudir da forma que o instinto intuir é a oportunidade proposta pelos organizadores, na verdade, não se trata de uma proposta, mas sim de uma vivência. O grupo abre hoje aulas para o público. Esta é a primeira vez que estes desenvolvem aulas abertas.
De acordo com uma das organizadoras, Lu Celestino, “o ¿Por quá? é um grupo independente que optou por seguir um caminho próprio, com uma dança de linguagem simples, transitando entre o popular e o contemporâneo. Seu nome é um questionamento lúdico e transgressor feito à arte, gerando uma dança insurgente, curiosa, investigativa e leve”. Ela diz que o grupo surgiu nos anos 2000, na Eseffego, da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Nesse espaço, o grupo de dança permaneceu até o final de 2010, se tornando um grupo independente no ano de 2011. “O grupo é formado por artistas de dança vinculados diretamente ao contexto educacional e de produção em artes, apontando para uma direção cada vez mais profissional e autônoma”, diz Lu Celestino.
Inventividade
Segundo a descrição do evento, o trabalho do grupo vai através da vivência de determinadas propostas: se movimentar e encontrar maneiras curiosas de adentrar na dança. Sempre levando em conta as pitadas de cafonice, inventividade e peito para se movimentar sem vergonha, sem limites. Lu Celestino diz algo parecido sobre o evento: “posso dançar e tocar livremente, criamos um lugar e tempo propício para o encontro, para a celebração.
O grupo realiza diversos eventos com essa mesma ideologia. “Fazemos o Por Acaso – tardes de improviso, junto ao grupo Vida Seca, a casAcorpO, LaBamba Sonorização, registros da Digital 5 e da Sílva Patrícia. Também fazemos a intervenção urbana Aparecidas”, diz.
O preço para participar das aulas é variado e serve como forma de incentivo para esquentar a produção do grupo. Os valores variam entre R$ 50,00 (incentivo solidário), R$ 100,00 (incentivo justo) e de R$ 150,00 (chamado de incentivo abundante). Lu Celestino diz que “é nesse sentido que, para as aulas que ofertamos, sugerimos contribuições variadas, para poder contemplar pessoas diferentes. Chamamos essa prática de investimento e contribuição consciente. Queremos sensibilizar nosso público da importância de se pagar pela própria formação e valorizar o nosso investimento”, fala.
A oportunidade é das melhores que se tem. Aulas de dança com um grupo tão específico quanto os detalhes da capital de Goiás. Além disso, vale ressaltar o fato de o preço ser variado, dando espaço para pessoas com intenções e características diferentes.