O perigo das pipas
Redação DM
Publicado em 15 de julho de 2015 às 01:51 | Atualizado há 2 anos
No último dia 3, Francisco de Assis Pereira, 60, foi vítima da linha chilena, material cortante utilizado para empinar pipas. Ele morreu na BR-153 depois de perder muito sangue. O caso motivou a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) a deflagrar a Operação Francisco de Assis, nomeada em homenagem a vítima. Os policiais apreenderam mais de 36 mil metros de linha chilena na casa do proprietário da loja Pipa Neivas, na Vila Nossa Senhora. Ele foi investigado através de sites na internet.
A linha chilena é uma forma mais “sofisticada” da linha de cerol. Produzido artesanalmente, o cerol é um grude feito com cola e cacos de vidro. Já a linha chilena é produzida industrialmente e contém óxido de alumínio, carbeto de silício e quartzo moído. Seu poder de corte é quatro vezes mais forte que o cerol. Esse tipo de material é usado em competições para derrubar as pipas do adversário.
O delegado responsável pela operação, Eduardo Prado, explicou que a Decon vem investigando a venda da linha chilena através de indícios no Facebook. As principais páginas investigadas seriam os perfis Castelo das Pipas, Linha Chilena Goiânia e o grupo Pipa com Cerol. Na página Linha Chilena Goiânia, é exposta fotos de carreteis com as linhas e o produto é vendido de forma informal. “Entrego amanhã no Terminal Garavelo, marque a hora comigo”, diz uma das descrições.
As investigações apontam que a loja Pipa Neivas é a principal fornecedora da linha em Goiânia. O tubo com o material é comprado no Paraguai por R$ 12 mil e é revendido por R$ 30 a cada 500 metros. “A venda de produtos impróprios para o consumo pode dar uma pena de dois a cinco anos de prisão”, explica o delegado. “Mas nossa intenção não é só coibir a venda. A pessoa que usa está infringindo o código penal no crime de levar perigo à saúde da pessoa”, completa.
Na opinião de Eduardo Prado, deveria haver penas mais duras para o usuário das linhas cortantes. “Ao meu entender, quem mata uma pessoa com linha de cerol comete o crime de homicídio doloso com dolo eventual, que é quando a pessoa assume o risco de produzir o crime”, diz. De acordo com ele, três pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridos esse ano em Goiás, vítimas da imprudência de alguns “pipeiros”, como são chamadas as pessoas que empinam pipa.
O deputado federal Dimas Fabiano, do PP de Minas Gerais, criou projeto de lei em 2013 que proíbe a comercialização, importação, uso e fabricação da linha chilena, sujeito a multa de R$ 30 mil. Outros cinco projetos de lei semelhante estão em tramitação no Congresso Nacional.
Enquanto as linhas de cerol ou chilena são uma realidade nas cidades, resta pelo menos uma forma de proteção. O Decon aderiu à campanha, juntamente com a Guarda Civil, #motocomantena. O objetivo é incentivar os motociclistas a utilizarem antenas “corta-pipa”, vendidas por R$ 30 em lojas de acessórios para motos.
Entenda a diferença
A linha chilena é usada em competições de pipa e tem colocado a vida de ciclistas e motociclistas em risco. Entenda a diferença dela e da tradicional linha de cerol:
- Linha chilena: Produzida industrialmente, tem uma sua composição cola de madeira, óxido de alumínio,
carbeto de silício e quartzos moído. Seu poder de corte é quatro vezes maior que da linha de cerol.
- Linha de cerol: Pode ser produzida em casa. É feita com a mistura de cola (normal ou de sapateiro) e
cacos de vidro que são passados na linha. Os usuários chegam a usar fitas adesivas para proteger os dedos.
