Desespero e dor no enterro de professora que morreu em perseguição
Redação DM
Publicado em 1 de maio de 2015 às 03:20 | Atualizado há 11 anosBeto Silva
A perseguição da polícia em busca de suspeitos de praticarem assalto terminou por destruir a vida de uma professora de Psicologia da PUC-GO e da Alfa.
Juliana Soares Dias tinha 32 anos. O carro que dirigia foi atingido pelos suspeitos na última quarta-feira. Ela estava internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e morreu na madrugada de ontem. A Polícia Militar realizava a perseguição dos dois suspeitos de assalto na Avenida Goiás Norte, no Setor Norte Ferroviário. Um dos condutores do veículo avançou o sinal vermelho e colidiu com o carro conduzido por Juliana.
Enquanto a sociedade perde uma professora, os dois suspeitos pela prática dos crimes continuam vivos. Um deles é adolescente (16 anos). Os dois sobreviventes do acidente estão no Hugo e não correm risco de morte.
No velório, os familiares recordaram dos esforços da professora, que era dedicada e amada pelos alunos. “Foi sempre presente, com grande esforço para ensinar e mostrar coisas diferentes para a gente”, disse uma das ex-alunas, Maria Socorro de Freitas. Cerca de 600 pessoas compareceram na despedida da professora. Nos corredores do Cemitério Jardim das Palmeiras, um sentimento de dor, desespero e perda.
PENA
O menor não será preso, mas passará por medida sócioeducativa. Na legislação atual, o máximo do afastamento do convívio social por prática de ato infracional é de três anos. Após as investigações, o suspeito adulto pode ser acusado de dolo eventual, quando não tem o desejo de matar, mas assumiu o risco da morte da psicóloga. Neste caso, pode ir a juri popular e ser condenado até a 30 anos.
Mas a família e o Ministério Público terão que lutar pela acusação de dolo, pois os crimes de trânsito tem obtido a categorização de que não é doloso. E neste caso, as chances de quem matou a professora ir para a cadeia serão mínimas.