Enfrentamento entre grevistas e Guarda Municipal termina com feridos
Redação DM
Publicado em 24 de abril de 2015 às 01:38 | Atualizado há 11 anosDivania Rodrigues Da editoria de Cidades
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia e os servidores da Educação do município, que estão em greve desde o último dia 14, entraram em confronto dentro do Paço na manhã de ontem, por volta da 11 horas. Durante a tarde, os servidores da Guarda foram ao 23º Distrito Policial registrar queixas de agressão e os grevistas se aglomeraram em frente ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) para prestar solidariedade aos companheiros feridos durante o enfrentamento. As imagens, em fotos e vídeos, dos professores sangrando, repercutiram negativamente e revoltaram usuários das redes sociais.
De acordo com os servidores, a intenção era caminhar pelos corredores do Paço Municipal. O ato político havia sido decidido em Assembleia, que ocorria em frente ao local desde as 8 horas da manhã. “A Assembleia terminou por volta das 11 horas da manhã e ficou decidido que faríamos o ato político de caminhar pelos corredores do Paço”, comenta a professora Mirna Marinho Anaquiri, que é professora da Escola Municipal Bernardo Élis desde 2013.
Para a servidora pública, o sentimento era de indignação perante a truculência com a qual os grevistas foram recebidos e tratados, perante ato que se iniciou pacificamente. “Mas a nossa luta continua e não seremos parados pela violência”, afirma Mirna, que se queixava de estar com a pele de ardência e vermelhidão pelo corpo devido ao uso de spray de pimenta pela guarda.
O comandante da GCM, Elton Magalhães, disse à reportagem que lamenta que tenha havido as agressões de ambas as partes. Porém, para ele, cerca de 30 guardas que estavam fazendo o isolamento do local estavam cumprindo seu dever de manter a integridade física do secretário de Finanças, o direito dos demais servidores trabalharem em segurança no local e o impedimento de haver depredação de patrimônio público. Ele ainda informou que havia pelo menos 300 manifestantes no local.
Conforme o comandante, os guardas fizeram cordão de isolamento para impedir a entrada dos servidores da educação na sala da Secretaria de Finanças, depois que houve indícios de que os grevistas invadiriam o local. Sobre os educadores feridos, Elton Magalhães explica que o homem que, de acordo com ele, tentava furar o bloqueio, realmente havia sido atingido na cabeça pelos cassetetes de um dos guardas, no momento da contenção, mas que a mulher teria caído durante a confusão e batido com a cabeça.
Ele ainda afirmou que houve agressões mútuas e que cinco guardas também haviam ficado feridos durante a confusão. Os guardas relataram chutes nas pernas, dois mancavam ao andar, e murros. Eles registraram ocorrência no 23º Distrito Policial.
Os servidores da Educação contestam a versão da GCM, alegando que não tinham a intenção de invadir a Secretaria de Finanças. Também afirmam que as agressões ocorreram e que os guardas agrediram com cassetetes na cabeça tanto de homens como de mulheres, além de usarem spray de pimenta no rosto dos grevistas. Os servidores feridos se dirigiram ao 8º Distrito Policial para registrar de ocorrência.
A imagem da professora Dalva Fátima Ferreira sangrando depois do confronto foi amplamente divulgada pela mídia e por meio das redes sociais. Em entrevista, ela afirmou que foi agredida e só não caiu no chão porque outros manifestantes a ampararam.
De acordo com Mirna, que acompanhava de perto o atendimento dos dois feridos mais gravemente, eles haviam recebido pontos nos cortes na cabeça e passavam bem. A GCM enviou nota em que lamentava o ocorrido e informando que a corregedoria iria investigar “todo tipo de abuso ou desvio de conduta”.
“Esclarece ainda que o uso da força, por parte dos guardas civis, foi o último recurso a ser usado, o que se fez necessário para manter a ordem, já que os manifestantes tentaram invadir a Secretaria Municipal de Finanças. Ao tentar conter os ânimos dos manifestantes, numa reação protetiva, seis agentes da Guarda Civil Metropolitana foram também agredidos”, conclui a nota,
O Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (Simsed) utilizou as redes sociais para se manifestar sobre a ação da GCM: “Repúdio a ação truculenta da guarda que há poucos dias também estavam em greve por melhores condições de trabalho. Repúdio a prefeitura que ordenou usar a força, que não respeitou os trabalhadores. Seria muito bom se a categoria não precisasse fazer greve, se tivesse seus direitos respeitados, mas… É mais fácil oprimir, bater, ameaçar do que tratar os profissionais com o respeito e valorização que merecem!”.
Greve
Sem conseguir entrar em acordo com representantes da prefeitura municipal e sem conseguir reunião com o prefeito Paulo Garcia como desejado pelos grevistas, ficou decidido durante a Assembleia da manhã de ontem que a greve dos servidores continua.