Cotidiano

Crer é modelo de eficiência

Redação DM

Publicado em 22 de abril de 2015 às 01:54 | Atualizado há 11 anos

Helmiton Prateado Da editoria de Política

 

Goiás tem um dos mais modernos e eficientes centros de saúde do Brasil. O Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) é um hospital especializado em atender pacientes com deficiência física, auditiva, visual e intelectual com um histórico de sucesso em todos os sentidos e que se tornou referência para outras unidades do País, inclusive com recomendação do Ministério da Saúde para que seu modelo seja copiado em outros Estados.

Dirigido pelo médico ortopedista Valney Luís da Rocha, o Crer é gerido por uma Organização Social (OS) em uma das experiências de alternativa para dar maior eficiência e celeridade na prestação de serviços na saúde que deu certo. Deu tão certo que o modelo foi copiado pelo governo do Estado e implantado em outros hospitais da rede pública. “O Crer prestou nesses 13 anos, desde sua fundação, mais de 10 milhões de atendimentos humanizados, ampliou sua área construída de 8.800 metros quadrados para mais de 33 mil metros, tem uma oficina ortopédica e, atualmente, presta atendimento a cerca de 2.000 pacientes por dia e realiza cerca de 5.000 procedimentos”, comenta o diretor-geral.

A Associação Goiana de Integralização e Reabilitação (Agir) foi a OS formada em 2002 para ser a gestora do Crer e o sucesso da experiência consolidou a necessidade de levar esse misto de eficiência e transparência para outras unidades. Hoje, a Agir é gestora também de outras duas unidades e será a gestora do Hospital de Urgências de Goiânia II (Hugo 2).

O sucesso da gestão e dos serviços prestados no Crer vão além do atendimento hospitalar, cirúrgico, reabilitação, fisioterapia e assuntos relacionados à saúde. O Crer é hoje um laboratório dinâmico e largamente utilizado para melhoria das práticas de gestão de saúde e até de procedimentos médicos realizados. Pesquisas científicas realizadas com instituições de renome internacional garantem a apresentação dos trabalhos em congressos científicos de referência, como o que foi apresentado recentemente em Harvard, a Meca dos centros produtores de saber e ciência, de onde saíram mais de uma dezena de ganhadores do Prêmio Nobel.

Diretor-geral do Crer, Valney Luís da Rocha fala cheio de orgulho do trabalho que é realizado na instituição que dirige e frisa que é perfeitamente possível fazer uma gestão com qualidade e eficiência e atender exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde.

 

DM – Qual é o balanço do trabalho realizado nesses 12 anos?

Valney Luís da Rocha – Estamos fazendo uma prestação de contas para que a própria sociedade faça seu julgamento crítico vendo o que foi feito nesse tempo. Saímos de uma tentativa de fazer um hospital diferente que atendesse pacientes que necessitavam de um trabalho para reabilitação e somos uma unidade de referência nisso hoje. A Agir, Organização Social formada para gerir o Crer também é outra experiência que deu certo. O governador em 2002, Marconi Perillo, pensou e planejou fazer uma forma de gestão diferenciada com uma OS e isso deu certo. Desde o início das atividades, a Agir na administração do Crer teve por propósito desenvolver uma gestão com qualidade e eficiência e isto se fez ao longo desses 12 anos. Um demonstrativo do quanto isto foi exitoso é que saímos de uma área construída de 8.00 metros quadrados para 33.275 metros quadrados em área física. Isso é um crescimento vertiginoso em área construída. Evoluímos também de um número de atendimentos e de procedimentos realizados, comprovando que realizamos até hoje mais de 10 milhões de procedimentos feitos. Foi uma instituição que começou pequena e ao longo dos anos se desenvolveu diante da necessidade de nossa população de aumentar os atendimentos. Fomos ampliando e lapidando os focos e aprimorando os procedimentos prestados. Isso fez com que tenhamos hoje um número expressivo de atendimentos para mostrar.

 

DM – Mas o Crer não é referência somente em procedimentos médicos. O quê mais o senhor ressalta de positivo?

Valney Luís da Rocha – O Crer é referência em muitos outros detalhes. Por exemplo, tempos um sistema completamente informatizado que garante controle total sobre o que é feito, temos todos os balanços publicados e aprovados, disponíveis no site de transparência do governo que podem ser consultados a qualquer tempo e hora. Em qualidade também avançamos muito e o Crer obteve certificado de habilitação em diversas áreas. Inicialmente o Crer atendia planos de saúde e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, as em 2012 fizemos uma opção de sermos 100% SUS e a partir disso tivemos habilitações como serviços de alta complexidade para cirurgia de traumatologia e ortopedia, obtivemos credenciamento junto aos ministérios da Saúde e Educação para sermos hospital de ensino para oferecer residência médica em fisiatria, anestesia, radiologia e otorrinolaringologia e medicina multiprofissional. Avançamos também no campo do ensino e da pesquisa científica, aqui se faz ciência. Entendemos que uma unidade hospitalar tem de se projetar na sociedade pelo trabalho médico e assistencial que realiza, mas a partir de um momento é preciso se desenvolver no campo da ciência e da pesquisa para ter notoriedade e respeitabilidade junto à sociedade médica e é isto que temos procurado desenvolver nos últimos anos. Já temos, inclusive, trabalhos realizados em conjunto com instituições de outras partes do mundo. Isto é bom para a instituição que faz sua jornada científica, é bom para o Estado porque se projeta como centro de referência e bom para os pacientes porque têm à sua disposição as mais modernas técnicas e profissionais bem preparados.

 

DM – O Crer é procurado por pacientes de outros locais?

Valney Luís da Rocha – A rigor atendemos prioritariamente a Região Metropolitana de Goiânia, mas recebemos pacientes do Brasil inteiro, até porque o renome da unidade já ultrapassou nossas fronteiras.

 

DM – Qual o principal ensinamento que fica da gestão de uma OS em uma instituição como o Crer?

Valney Luís da Rocha – Primeiro é preciso lembrar que tínhamos o modelo de gestão das unidades de saúde no Estado que era feito diretamente pela Secretaria de Saúde. Em obediência às leis que regem a administração pública como licitações e contratos havia uma dificuldade muito grande para fazer a gestão dessas unidades. Na ocasião da montagem do Crer, o governador Marconi Perillo, observando que isto era um entrave burocrático para a celeridade dos serviços pensou na criação de uma OS para gerir o Crer e o modelo deu certo. Ao longo dos anos, isto se mostrou altamente eficiente e deu agilidade aos processos administrativos sem perder o foco da responsabilidade fiscal e da probidade administrativa. Setores como contração de recursos humanos, compra de medicamentos e insumos hospitalares, contratação de serviços e outros ficam mais flexíveis para administrar. A Agir foi ganhando expertise em gestão e hoje a credibilidade que conquistamos possibilitou a participação em outros chamamentos como do Hugo 2.

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