Economia

Brasil fica abaixo da média global pela primeira vez em cinco anos

Redação DM

Publicado em 17 de abril de 2015 às 01:33 | Atualizado há 11 anos

Da redação, com assessoria

Estudo de CEOs da consultoria Strategy& revela que as empresas brasileiras estão trocando menos de CEOs: de 21,8% em 2013, a média de contratações caiu para 10% em 2014. No mundo, o índice foi de 14,3%. Queda no número de sucessões no Brasil é resultante do período de crise e incerteza pelo qual passa o País, que faz com que conselhos sejam mais conservadores e promovam menos mudanças.

Na pesquisa, o Brasil permanece como um dos países que mais apostam em CEOs vindos de fora das empresas: 44%, contra 22% registrados na média global. As empresas brasileiras estão sofrendo menos com a rotatividade no cargo de CEO. De uma média de 21,8% de contratações registradas em 2013, os dados referentes a 2014 apontam uma queda para 10%, a menor já registrada no País nos últimos cinco anos – no mundo, essa taxa foi de 14,3% em 2014 (estável em relação aos 14,2% registrados em 2013).

Estas informações fazem parte da 15ª edição do “Estudo Anual de CEOs, Governança e Sucesso” da consultoria Strategy&, que realizou um levantamento de transições, entradas e saídas de CEOs nas 2.500 maiores empresas de capital aberto do mundo.“A queda do número de sucessões de CEOs no Brasil aconteceu pelo período de crise e incertezas que estamos vivendo. Os conselhos tornam-se mais conservadores e promovem menos mudanças”, diz Carlos Eduardo Gondim, sócio da Strategy& no Brasil.

Globalmente, as empresas estão aprimorando seu planejamento para a troca dos altos executivos. A porcentagem de sucessões planejadas no cargo de CEO subiu para 82% no período entre 2012 e 2014, dos 63% anteriormente apresentados entre 2000 e 2002, de acordo com o relatório. Em 2014, os números globais reforçam a tendência de crescimento: 86% das trocas foram planejadas e apenas 14% foram forçadas.

O Brasil segue pelo mesmo caminho. Em 2013, 67% dos turnovers nacionais foram fruto de planejamento interno. Já no ano passado, o índice cresceu para 90,9% – das 110 empresas analisadas localmente, apenas 11 promoveram sucessões, das quais nove foram planejadas, uma forçada e uma resultante de um processo de fusão e aquisição.

“Enquanto demitir o CEO pode ser a decisão certa, ela é extremamente custosa. Quando você quantifica o custo das transições, particularmente as inesperadas e forçadas, é possível identificar a importância e o valor envolvidos no planejamento da sucessão do CEO”, destaca Paolo Pigorini, Managing Director da Strategy& para a América do Sul.

 

Sucessão em fase de melhorias

Na maioria das empresas globais (78%), que promoveram a troca de CEOs no ano passado, o cargo foi assumido por alguém de dentro da organização. “Esta é uma quantidade saudável para sucessões internas e que apresenta algumas vantagens. Observamos que, em 10 dos 15 anos analisados pelo estudo, CEOs que são promovidos internamente permanecem no cargo por um pouco mais de tempo e entregam valor total (anualizado e ajustado regionalmente) mais alto para os investidores ao longo do seu tempo na função”, afirma Pigorini.

O Brasil, no entanto, rumou na direção contrária no último ano. Em 2013, 70% das companhias optaram por executivos “da casa”. No ano passado, essa porcentagem caiu para 56% – bem abaixo da média global. Já a porcentagem de executivos “outsiders” vem crescendo: 44% dos novos CEOs do País vieram de outras empresas, contra os 22% registrados globalmente. “Essa movimentação é interessante, uma vez que, além dos novos CEOs virem de outras empresas, muitos vieram de outras indústrias”, ressalta Gondim.

No que diz respeito ao tempo do executivo exercendo a função, os dados do Brasil são inferiores à média global, embora essa diferença venha sendo reduzida gradativamente: 4 anos no Brasil, em comparação com os 5,3 anos registrados nos dados globais. O maior tempo de permanência na função foi de 7,8 anos, registrado nos Estados Unidos e no Canadá.

Quanto à faixa etária, pela primeira vez os executivos brasileiros promovidos ao cargo de CEO ultrapassaram a média global, de 52 anos, para dar espaço a pessoas a partir dos 53. Os demitidos ou realocados são mais jovens: têm cerca de 50 anos, oito a menos do que em outros países. Em termos de nacionalidade, o Brasil dá preferência a executivos nascidos no País: 81%, uma porcentagem também alinhada com as tendências globais. Em 2014, 85% dos CEOs contratados no mundo eram do mesmo país de suas respectivas empresas.

 

Governança

corporativa

Quando se trata de governança, de acordo com o estudo, o Brasil usa de forma correta os mecanismos disponíveis. Em 2014, nenhum novo CEO brasileiro foi apontado também como chairman (presidente do conselho). Essa prática é mais corrente em outros países, resultando em 10% das empresas globais avaliadas pelo estudo. O “apprenticeship model” – em que o CEO antigo vai para o conselho e dá apoio ao novo CEO em sua transição – acontece em pouco menos da metade dos casos (40%).

Estes comportamentos, de acordo com Pigorini, têm resultado em uma atenção maior à questão sucessória nas empresas, trazendo-a para o cotidiano ao invés de ser uma preocupação exclusiva para a hora da mudança. “Quando planejam bem a sucessão, as companhias colocam o assunto da governança de CEO na agenda corrente das reuniões de conselho e trabalham para se antecipar aos problemas antes que eles se tornem mais sérios”, completa o executivo. “Centenas de bilhões de dólares, em valor potencial no futuro, estão dependendo do quanto as maiores empresas podem melhorar suas práticas de sucessão nos próximos anos.”

Custo das transições leva empresas a optarem mais pela sucessão planejada quando é forçada, a transição de um CEO custa US$ 1,8 bilhão a mais para os investidores do que uma sucessão planejada. Nos últimos anos, as empresas avaliadas que passaram por saídas forçadas perderam US$ 112 bilhões em valor para seus investidores.

Telecomunicações continuam sendo a área com maior taxa de turnover: 24%. No ranking, é seguida por energia (18%), materiais (17%), indústrias (16%), utilidades (16%), serviços ao consumidor (16%), bens de consumo (13%), financeiro (13%), saúde (10%) e tecnologia da informação (10%).

 

Cresce o número de novos CEO’s com MBA

Em 2013, 28% deles possuíam essa especialização; hoje, são 44%. No Brasil, 38% dos altos executivos têm esse tipo de formação. Cresce índice de mulheres em cargos de liderança 5,2% dos executivos contratados para esse cargo no ano passado são do sexo feminino, mais do que os 3,1% registrados pela pesquisa em 2013. É a maior taxa global de CEOs mulheres dos últimos cinco anos.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia