Mais de 37 milhões de brasileiros trabalham acima de 41 horas semanais no país
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 24 de junho de 2026 às 14:20 | Atualizado há 1 hora
Mais de 37 milhões de trabalhadores cumprem jornadas acima de 41 horas semanais no Brasil | Foto: Reprodução
Mais de 37 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornadas superiores a 41 horas semanais e podem ser diretamente impactados por eventuais mudanças na legislação trabalhista. Os dados constam na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada nesta quarta-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Leia também
Brasileiros estão mais otimistas com a economia, aponta pesquisa Datafolha
Segundo o levantamento, 37,11 milhões de empregados com carteira assinada atuam acima desse limite semanal, considerando vínculos dos setores público e privado. Atualmente, a legislação brasileira permite jornadas de até 44 horas por semana, modelo adotado por grande parte das empresas do país.
O número ganha relevância em meio à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê alterações na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A proposta já avançou na Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado Federal.
Durante a divulgação dos dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá se reunir nos próximos dias com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir o andamento da proposta.
Rais aponta crescimento dos vínculos formais no país
Além das informações sobre a jornada de trabalho, a Rais mostrou que o Brasil contabilizava 62,2 milhões de vínculos formais ativos em fevereiro deste ano, considerando trabalhadores do setor privado e servidores públicos.
Na comparação com dezembro de 2025, o país registrou crescimento de 1,38 milhão de postos formais. Desse total, aproximadamente 1 milhão de vínculos corresponde ao setor público.
De acordo com Luiz Marinho, parte dessa oscilação está relacionada ao calendário de contratações, especialmente nas redes públicas de ensino. Segundo o ministro, muitos estados e municípios realizam desligamentos temporários no fim do ano e retomam as admissões no início do período letivo.
Empregos com carteira também registram alta
Entre os trabalhadores celetistas, desconsiderando os contratos temporários e os empregos domésticos, também houve expansão no número de vagas. O estoque de postos de trabalho passou de 47,59 milhões em dezembro de 2025 para 47,97 milhões em fevereiro deste ano.
O avanço representa crescimento de 0,81% no período e reforça a tendência de aumento do emprego formal observada nos primeiros meses de 2026. Os dados da Rais servem como um dos principais instrumentos de monitoramento do mercado de trabalho brasileiro e auxiliam na formulação de políticas públicas voltadas ao emprego e à renda.