Cotidiano

Suposta indução à omissão de socorro

Redação DM

Publicado em 17 de abril de 2015 às 00:34 | Atualizado há 1 ano

Divania Rodrigues,Da editoria de Cidades

A greve dos servidores de Goiânia tem colocado a população à prova. Quando o assunto é a Saúde municipal, os pacientes se encontram fragilizados quando recorrem ao atendimento e ficam expostos ao serviço oferecido. Neste momento em que parte do efetivo tem pleiteado direitos trabalhistas e a Capital sofre com uma epidemia de dengue, os goianienses doentes têm encontrado dificuldades para conseguir manter seu direito à saúde.

Representantes dos usuários da saúde pública municipal estiveram na redação do Diário da Manhã para alertar que a população tem sido deixada sem atendimento por parte de profissionais que fazem parte do movimento grevista. João Júnior, presidente do Conselho Municipal de Saúde do Cais Amendoeira e representante da região leste no Conselho Municipal de Saúde, afirma ser favorável à greve, mas pede que o atendimento não seja negado.

Ele apresenta áudio que demonstra que os enfermeiros em greve estão sendo induzidos a não aplicar remédios em pacientes já atendidos pelos médicos. De acordo com João e Ednamar Aparecida Oliveira Siqueira – presidente do Conselho de Saúde do Recanto das Minas Gerais e coordenadora do Fórum Permanente de Saúde da Região Leste – há provas que ligam o áudio, que circula nas redes sociais, a uma enfermeira do Cais Amendoeira. Eles explicam que estão levando a denúncia do caso à Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A gravação tem 26 segundos e incentiva os enfermeiros a não aplicarem medicação nos pacientes para causar tumulto, além de afirmar que este é um método já utilizado em outro local de atendimento: “Gente, tem que fazer o que o pessoal fez no Cais da Chácara do Governador. É isso que tem que ser feito: deixar o paciente passar pelo médico e quando chegar na hora da medicação não ser feito, porque é a equipe de enfermagem que ‘tá’ de greve. Deixar tumultuar na hora da medicação, é isso que tem que ser feito! Aí sim, aí a gente vai ser respeitado como profissional.”

Procurada pela reportagem para falar sobre o caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou por meio de nota que vai encaminhar a denúncia para o Conselho Regional de Enfermagem e tomar as providências cabíveis. Ainda esclareceu que “essa prática configura omissão de socorro e não respeita o código de ética da categoria.”

João e Edmanar esclarecem que a Saúde Pública Municipal está sucateada e mesmo antes da greve começar a situação era grave, com falta de profissionais no quadro de servidores, de medicamentos e de infraestrutura e equipamentos. Os conselheiros também afirmam que entendem que os salários dos servidores não está a altura do trabalho que eles desempenham por muitas vezes “fazer milagres com o que tem à mão” e que o movimento grevista é sério e merece respeito. Porém, acreditam que atitudes isoladas, como a que se dá na gravação, podem macular a categoria, já que a omissão de socorro se configura como crime.

Os conselheiros dizem esperar que o prefeito Paulo Garcia resolva de maneira imediata os problemas da Saúde municipal e atenda as reivindicações da categoria. Também esperam poder manter contato com o comando grevista e ajudar, de maneira mais viável e que não massacre a população, a solucionar a questão do atendimento à população neste momento delicado.

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