Cotidiano

Explosão de greves em Goiânia

Redação DM

Publicado em 16 de abril de 2015 às 01:46 | Atualizado há 11 anos

Marcelo Mendes Da editoria de Cidades

A  manhã de ontem foi marcada pelos protestos realizados pelos servidores municipais da Saúde de Goiânia. Após a reunião feita na Câmara Municipal da Capital, os trabalhadores fizeram uma passeata pelo Centro da cidade carregando um caixão. De acordo com o movimento grevista, a ação simbolizou o “enterro da má gestão do prefeito e do desrespeito aos servidores municipais”. O cortejo foi iniciado na Câmara Municipal, passou pela Avenida Goiás e foi encerrado na Praça do Bandeirante, na região Central de Goiânia.

Durante o movimento, os participantes interromperam o trânsito, por alguns instantes, aos pedidos de mais respeito. De acordo com o Comando de Greve, a ineficiência da Prefeitura de Goiânia gerou um caos na rede municipal de Saúde, pois não oferece as condições mínimas de trabalho e de assistência ao usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na pauta de reivindicações dos servidores contém os seguintes quesitos: respeito ao Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos (PCCV), pagamento da retroatividade da data-base, cumprimento da lei federal que determina o pagamento do Piso Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e de Combate às Endemias (ACE), a correção do adicional de insalubridade, auxílio-movimentação, alimentação, abono especial e a manutenção do quinquênio em 10%.

Durante a reunião realizada na manhã de ontem, os dirigentes sindicais repassaram aos servidores o resultado da reunião entre sindicatos e prefeitura ocorrida na terça-feira (14). Mas não houve nenhuma proposta apresentada pelo executivo municipal. Devido a essa questão, o Comando de Greve definiu que haverá nova assembleia hoje, às 8h30, na Câmara Municipal, no intuito de definir os rumos do movimento grevista.

SMS

Em nota divulgada, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SM) esclarece que continua em negociação com os trabalhadores da Saúde. Entre as reivindicações que avançaram, está a data-base de 2015, aprovada nesta segunda-feira na Câmara e que já deve ser paga na folha de abril.

Já sobre a manutenção dos 10% do quinquênio, um projeto deve ser enviado à Câmara ainda nesta semana como substitutivo da reforma administrativa, após estudo do impacto financeiro. As demais reivindicações continuam em negociação.

A SMS Goiânia ainda faz alerta que Saúde é um serviço essencial e que se houver omissão de socorro aos pacientes os responsáveis serão punidos administrativa e na judicialmente.

Médicos também entram em greve

Os médicos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia definiram em Assembleia Geral Extraordinária Permanente (Agep), nesta  terça-feira (14), dar início à paralisação por tempo indeterminado dos atendimentos à população, a partir de 0h (zero hora) do próximo domingo (19). A suspensão dos atendimentos será feita no intuito de que o executivo municipal negocie a resolução das reivindicações da categoria. Os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos.

As principais reivindicações são: pagamento da data-base de 2014 e 2015 de forma integral e retroativa, manutenção de todas as gratificações e demais vantagens pecuniárias pagas aos médicos vinculados à Secretaria de Saúde do Município de Goiânia (insalubridade 30% e quinquênios 10%), transição dos contratos de todos os médicos, passando-os de credenciados para Contratos por Tempo Determinado (CTD), cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) em relação à progressão vertical e horizontal, condições de trabalho e segurança nas unidades de Saúde.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Rafael Cardoso Martinez, ressalta que tem trabalhado no sentido de estabelecer negociações com o Paço desde o ano passado, porém não houve sucesso. “Não obtivemos avanços significativos. Neste momento, não estamos nem mesmo pedindo aumento salarial, mas apenas o cumprimento das leis trabalhistas e a manutenção de nossos direitos adquiridos. Percebemos que a forma como os profissionais médicos estão sendo tratados pela gestão está desestimulando o ingresso e a permanência dos profissionais no serviço de Saúde municipal.”

Protesto contra o PL 4330

Diversos sindicalistas e grupos de trabalhadores protestaram na manhã de ontem, em Goiânia, contra o Projeto de Lei 4330/04 de autoria do ex-deputado federal Sandro Mabel (PMDB). O texto, que está sendo votado no Congresso Nacional, amplia os contratos de terceirização no mercado de trabalho. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1.200 pessoas participaram do ato, já conforme os organizadores, o número supera 2 mil.

O movimento foi iniciado pelo Sintego no estacionamento do Estádio Serra Dourada. Logo em seguida, os manifestantes seguiram em carreata com o destino à Praça do Bandeirante, localizada no Centro da Capital, onde foi iniciada a ação principal. Por alguns instantes, o trânsito foi interrompido. Os trabalhadores seguiram em caminhada pela Avenida Anhanguera até o Palácio da Indústria, no local também foi realizada a “marcha fúnebre” ao som de gritos de palavras de ordem contra o PL e ainda contra o prefeito Paulo Garcia, relacionado as greves municipais. O movimento foi encerrado por volta das 11h e não foi registrado nenhum caso de violência.

Os líderes do ato aproveitaram o momento para fazer críticas aos deputados federais, que representam Goiás na Câmara Federal, e votaram a favor da medida. Dos 17 deputados, 16 apoiaram a medida e o outro não compareceu ao plenário para participar da votação. Segue a lista dos parlamentares que aprovaram o texto: Flávia Morais (PDT), Magda Mofatto (PR), João Campos (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Heuler Cruvinel (PSD), Roberto Balestra (PP), Thiago Peixoto (PSD), Pedro Chaves (PMDB), Delegado Waldir Soares (PSDB), Daniel Vilela (PMDB), Giuseppe Vecci (PSDB), Célio Silveira (PSDB), Alexandre Baldy (PSDB), Marcos Abrão (PPS), Fábio Sousa (PSDB) e Lucas Vergílio (SD). Rubens Antônio (PT) não compareceu à votação.

Participaram do protesto os seguintes sindicatos: a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil de Goiás (CTB-GO), a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), o Movimento de Luta Pela Casa Própria (MLCP), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

 

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