Júri condena acusados pela morte de Leonardo Pareja e outros dois detentos
Redação DM
Publicado em 15 de abril de 2015 às 01:47 | Atualizado há 11 anosEm julgamento realizado na segunda-feira (13), o Tribunal do Júri de Aparecida de Goiânia condenou cinco réus pela morte de Leonardo Pareja e de outros dois presos do antigo Cepaigo, além de uma tentativa de homicídio. A pena total dos acusados é de 45 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. O julgamento integrou a programação da Semana Nacional do Juri.
A acusação contra os réus Eduardo Rodrigues de Siqueira, Eurípedes Dutra Siqueira, José Carlos dos Santos, Ivan Cassiano da Costa e Raimundo Pereira do Carmo Filho foi sustentada pela promotora Renata de Oliveira Marinho e Sousa. A sentença condenatória foi lida pelo juiz Leonardo Fleury Curado.
No julgamento, o Ministério Público pediu que fosse desconsiderada a qualificadora de empregado de meio cruel em relação às mortes de Leonardo Pareja e de Veriano Manoel de Oliveira. Dos seis denunciados pelo crime, apenas Sérgio Luciano de Almeida não foi levado a julgamento. Foi morto ainda na ação Grimar Rodrigues de Souza e tentou-se matar Manoel de Oliveira Filho. O ataque ocorreu em 9 de dezembro de 1996, no antigo Cepaigo.
Os homicídios
De acordo com os autos, os acusados planejaram matar Pareja, e todos ligados a ele, porque Leonardo entregou os acusados à direção do presídio quando descobriu um plano de fuga por um túnel que os réus cavaram.
No dia do fato, em 1996, munidos de “chuchos”, facas e uma pistola calibre 45, os denunciados foram até Veriano e o esfaquearam, sem chance de defesa. A vítima morreu no local. Em seguida, os réus localizaram Leonardo Pareja, na escada próxima a sua cela.
Eurípedes Dutra agrediu Pareja com um tapa no rosto, enquanto Eduardo Rodrigues esfaqueava-o no pescoço. Leonardo correu para o final do corredor, lá foi encurralado por José Carlos, Ivan e Raimundo. Eurípedes disparou cerca de cinco tiros em Pareja, que faleceu no local.
Em sequência, o grupo invadiu a cela de Grimar Rodrigues de Souza e Manoel de Oliveira Filho. As vítimas se esconderam no banheiro. Eurípedes descarregou o restante da munição em direção a eles. Grimar morreu na hora, Manoel fingiu estar morto até os acusados saírem da cela.
O grupo seguiu para a cela de outro preso, porém se rendeu. Em seguida, entregaram as armas no caminho aos agentes prisionais, pois os alarmes estavam soando e os policiais se preparando para invadir o prédio.
Pareja e Rebelião
Leonardo Rodrigues Pareja ficou conhecido nacionalmente após comandar uma rebelião que durou seis dias no antigo Cepaigo, tendo feito várias autoridades de reféns enquanto visitavam o complexo prisional. Entre as vítimas estava o então presidente do TJGO, Homero Sabino de Freitas.
Em decorrência da rebelião, Pareja fugiu levando seis reféns. Durante a fuga, parou em um bar, deu autógrafos, comprou cigarros e bebidas. Foi recapturado em um posto de gasolina em Porangatu, após cerco da polícia.
O primeiro crime cometido por Pareja aconteceu em Salvador, em setembro de 1995. Ele sequestrou uma criança de 13 anos por 59 horas. Depois de driblar a polícia em três Estados, e dar uma entrevista contando sobre sua vida, Leonardo se entregou no dia 12 de outubro de 1995.