Economia

Não haverá paz onde houver fome

Redação DM

Publicado em 15 de abril de 2015 às 01:38 | Atualizado há 11 anos

Wandell Seixas Da editoria de Economia

O setor agroindustrial da alimentação, reunido em Goiânia no último dia 11, lançou a Carta de Goiânia. O documento resultante do 3º F órum Brasileiro da Indústria de Alimentos ratifica o compromisso com o progresso do País e com a sua responsabilidade nos esforços contra a fome. O simpósio nacional reuniu mais de trezentos empresários na capital de Goiás e foi responsável pela presença dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, além do governador Marconi Perillo e do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. A organização do evento coube ao Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e à Associação Brasileira da Indústria Alimentar (Abia).

A Carta de Goiânia apresenta o conceito de segurança alimentar de “não haverá paz onde houver fome”, com reivindicações e propostas necessárias ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil, inclusive de como o sistema de produção e industrialização deve se comportar ante às exigências dos consumidores. Eis o teor do documento.
O Brasil já é mundialmente reconhecido como um grande produtor de matérias-primas originadas por uma competente e competitiva agropecuária que se baseia em tecnologia tropical sustentável. Também a indústria nacional de alimentos vem se desenvolvendo com foco em qualidade, assumindo posição crescente na formação do PIB e da balança comercial do país E é essencial que esta indústria siga agregando valor aos nossos produtos primários porque este é o caminho mais curto para aumentar a renda dos produtores de todas as cadeias produtivas, gerando empregos cidadãos e riqueza para a nação.

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Reunidos em Goiânia no dia 10 de abril de 2015 sob a coordenação do Lide, produtores, líderes do setor, acadêmicos, políticos e formadores de opinião se debruçaram sobre os temas que devem ser atacados com vigor para que o Brasil dê um novo salto na direção de uma indústria moderna e eficiente de alimentos, e indicaram a direção para tal avanço, que incorpora as seguintes propostas: 

1-Precisamos investir vigorosamente em Ciência e Tecnologia no setor, trazendo inovação tecnológica que gere produtos alimentícios industrializados saudáveis, seguros, sustentáveis e que atendam a padrões de sabor compatíveis com o desejo de consumidores brasileiros e de todo o mundo. Indústria precisa antecipar tendências, inclusive considerando as mudanças no perfil dos consumidores. Aqui se insere a necessidade de formar recursos humanos treinados e capacitados para a geração e incorporação dessas tecnologias.
2- Políticas de estímulo à industrialização de alimentos são essenciais, desde mecanismos de crédito adequados até acordos comerciais que reduzam a escalada tarifária inibidora do acesso a mercados dos produtos processados, sobretudo nos países desenvolvidos. O sistema regulatório interno deve seguir os modelos internacionais, estimulando as boas práticas produtivas, inclusive embalagens. O tema tributário ganha grande relevo, uma vez que atualmente há tributos que inibem a exportação de produtos industrializados, estimulando apenas a de matérias-primas.
3- Desenvolver mecanismos de comunicação que mostrem aos consumidores de alimentos processados a qualidade dos mesmos, considerando até aspectos emocionais. Infelizmente existem interesses contrários aos avanços da indústria de alimentos no Brasil, o que leva a informações distorcidas e/ou falsas sobre efeitos de alimentos na saúde pública. Não é preciso inventar nada, mas apenas mostrar a verdade de forma profissional e persistente.
4- As ações acima referidas exigem uma ampla articulação entre todos os agentes responsáveis pelo setor alimentar, desde a produção agropecuária até a gôndola do supermercado. Trata-se de uma ação típica de estado, em que governo, parlamento, academia, produtores, consumidores, comunicadores se somem na direção de instrumentos de desenvolvimento do País.
5- Segurança Alimentar e Nutricional são o fundamento da paz universal e o Brasil tem um papel primordial nesse tema de interesse geral. Desenvolver uma indústria de alimentos respeitada é responsabilidade dos governos, do setor privado e de todos os cidadãos brasileiros.

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