Economia

De acordo com o IBGE, crescimento da economia em 2014 foi de 0,1%

Redação DM

Publicado em 28 de março de 2015 às 02:28 | Atualizado há 11 anos

Ely Assis,Da editoria de Economia

A economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229. Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.

Os números apresentados pelo IBGE já foram calculados com base na nova metodologia, que incluiu dados que não existiam e mudou a classificação de alguns itens. “O que contribuiu para o crescimento foram os serviços e, negativamente, foi a indústria”, afirmou Rebeca de La Rocque Palais, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A previsão mais recente do Banco Central era que o PIB tivesse recuado 0,1%, próxima à do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), chamado de “prévia do PIB”, que estimava uma contração de 0,15% no ano passado. Já a expectativa dos analistas do mercado financeiro era positiva, porque indicava uma alta de 0,15%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

Em relação ao terceiro trimestre de 2014, o PIB de outubro a dezembro avançou 0,3%. O resultado foi puxado pela agropecuária, que cresceu 1,8%, e pelo setor de serviços, que teve expansão de 0,3%. Por outro lado, a indústria mostrou leve queda de 0,1%. Frente ao 4º trimestre do ano anterior, o PIB mostrou retração de 0,2%, de acordo com o IBGE.

 

Agropecuária

No ano de 2014, a agropecuária cresceu 0,4%, puxada pelas taxas positivas de soja (5,8%) e de mandioca (8,8%), ainda que a produção tenha desacelerado. Na contramão, caiu a produtividade da cana-de-açúcar (-6,7%), do milho (-2,2%), do café (-7,3%) e da laranja (-8,8%).

“A grande diferença de 2013 para 2014 foi o desempenho da cultura da soja”, diz Rebeca. “Houve queda de produtividade, então a renda gerada no setor é afetada negativamente.”

 

Indústria

A indústria mostrou queda de 1,2%, influenciada pela retração de 2,6% em construção civil e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana.

“O desempenho foi influenciado pelo maior uso das termelétricas, sobretudo a partir do segundo trimestre do ano”, diz o IBGE, em nota. Apesar da taxa negativa da atividade fabril, houve avanço de 8,7% da indústria extrativa mineral. Segundo Rebeca Palais, o bom resultado da extrativa mineral ajudou a conter parte da queda significava da indústria de transformação (-3,8%).

 

serviços

No caso de serviços, que teve a maior alta entre os setores, de 0,7%, o resultado foi influenciado pelos serviços de informação, atividades imobiliárias e transporte, entre outras. O aumento não foi maior porque o comércio, que costumava mostrar taxas positivas, recuou 1,8% em 2014.

“‘Outros serviços’ é bastante ligado ao consumo das famílias. No quarto trimestre, ele ajudou, mas no ano, ele ficou baixo. Dentro dele tem toda a parte de despesa pessoal. Isso caiu no ano e se você for olhar por outro lado, a inflação foi um dos grupos afetados. Alguns serviços sofreram mais do que outros, por outro lado educação e serviço mercantil cresceu ao longo do ano. O comércio foi puxado para baixo principalmente pelo mercado atacadista, que está ligado ao desempenho da indústria. Claro que os serviços mais relacionados com o desempenho da indústria tiveram desempenhos piores.”

 

investimentos e despesas

Com a queda da produção interna e da importação de bens de capital (máquinas e equipamentos), os investimentos caíram 4,4% em 2014, a maior retração desde 1999, quando a baixa havia sido de 8,9%.

“A contribuição negativa ficou por conta dos investimentos, que tinham crescido 6,1% em 2013”, afirmou a coordenadora do IBGE.

A despesa de consumo das famílias, que durante anos sustentou o crescimento da economia, avançou menos do que em 2013: de 2,9% para 0,9%. A massa salarial dos trabalhadores, descontando a inflação, aumentou 4,1%.

A despesa do consumo do governo também cresceu menos no ano passado. Enquanto em 2013 a alta havia sido de 2,2% (frente a 2012), em 2014 (em relação a 2013), foi de 1,3%.

“A massa salarial continua crescendo, teve variação de 4,1% da massa salarial, mas por outro lado, o crédito não está mais crescendo em termos reais. Além disso, a gente teve a Selic [taxa básica de juros] que aumentou e passou de 8,2% ao ano para 10,9%. E o IPCA [inflação oficial] que cresceu de 6,3% na média de 2014 contra média de 2013”, afirma a coordenadora.

No setor externo, caíram as exportações (-1,1%) e as importações (-1,0%) de bens e serviços, com influência negativa para a indústria automotiva.

A queda as importações ocorrem por causa do câmbio e da economia, segundo Rebeca. “Quando está desaquecida, afeta as importações também.”

“Tanto a construção como máquinas e equipamentos caíram. Então, esses componentes afetaram os investimentos. Os ‘outros’ cresceram, diminuindo um pouco essa queda dos investimentos do ano de 2014. Eles foram responsáveis pelos investimentos não terem caído tanto.” A categoria “outros” cresceu 5,5%. Nela estão incluídos gastos em Pesquisa e Desenvolvimento, desenvolvimento de informática, software, e produtos de propriedade intelectual, que passaram a ser considerados como investimento na nova metodologia.

Em 2014, a taxa de investimento foi de 19,7% do PIB, abaixo do registrado em 2013, de 20,5%. Foi a menor desde 2009, quando chegou a 19,2%. A taxa de poupança recuou de 17% em 2013 para 15,8% no ano seguinte.

 

Impostos

“Os impostos já vinham há um tempo crescendo mais do que o valor adicionado relacionado à produção. Em 2014, foi o contrário. Eles tiveram variação negativa de 0,3 e isso, principalmente, por causa do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, que está ligado à indústria de transformação, e por causa da importação, que a gente viu que o volume de bens e serviços caiu no ano.”

Rebeca disse ainda que a última vez que o Brasil viu o valor adicionado crescer mais do que os impostos foi em 2009. “Tinha valor de -0,2% e impostos, -0,3%.”

A coordenadora do IBGE explicou que um dos principais motivos é o desempenho da indústria. “Industria teve desempenho ruim, e a indústria paga bastante imposto em alguns setores e aí afeta. A importação em 2009 também caiu”.

Segundo ela, a queda as importações ocorrem por causa do câmbio e da economia – “quando está desaquecida, afeta as importações também”.

(Com informações do G1)

 

Desemprego fica em 5,9% em fevereiro, mostra IBGE

 

O desemprego no País segue em alta no início do ano e registra, pela primeira vez desde 2011, queda no rendimento dos trabalhadores. Em fevereiro, a taxa de desocupação ficou em 5,9%, a maior, considerando o mês, desde 2011. Em janeiro de 2015, o índice havia atingido 5,3% e em fevereiro de 2014, 5,1%. “Esse crescimento da taxa [de desemprego] está relacionado ao crescimento da procura, da população desocupada, e paralelamente de uma redução da ocupação. Você tem os dois movimentos agindo simultaneamente: redução da ocupação e crescimento da procura por trabalho”, analisou Adriana Beringuy, da coordenação de rendimento e trabalho do IBGE.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26). A pesquisa é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

A população desocupada cresceu 10,2% em relação a janeiro e somou 1,4 milhão de pessoas. Na comparação com fevereiro do ano passado, a alta foi de 14,1%.

 

Desemprego aumenta em fevereiro

Por outro lado, a população ocupada chegou a 22,8 milhões em fevereiro, registrando queda de 1,0% frente a janeiro e estabilidade na comparação com fevereiro de 2014. A população não economicamente ativa bateu 19,4 milhões de pessoas – estável sobre janeiro e 2,3% maior que no segundo mês do ano passado.

Segundo Adriana Beringuy, a população não economicamente ativa “reverteu o comportamento” observado em janeiro de 2015, o que pode, segundo a especialista, ter influenciado o aumento da taxa de desocupação em fevereiro.

“De fato reverteu o movimento de janeiro, agora em fevereiro, voltou a crescer 0,4% na comparação com janeiro, mas de uma maneira mais discreta. O que pode indicar um movimento de pessoas indo em direção à desocupação e uma maior pressão ao mercado de trabalho. Provavelmente ela deve estar procurando trabalho”, explicou.

O nível da ocupação foi estimado em 52,3% – taxa 0,5 ponto percentual inferior a janeiro e 1 ponto percentual abaixo da de fevereiro do ano anterior.

 

Rendimento menor

O rendimento médio real dos ocupados ficou em R$ 2.163,20. Na comparação com janeiro, a queda foi de 1,4%, a primeira, nessa base de comparação, desde outubro de 2011. Frente a fevereiro do ano passado, o indicador recuou 0,5%. Segundo o IBGE, essa é a maior baixa desde maio de 2005.

“De fato, não acontecia uma retração do rendimento na comparação anual. Nesses dois últimos meses, a gente viu um crescimento do indicador de inflação. Como a gente está analisando o rendimento médio real, houve, de fato, uma retração em função da inflação. Ainda que, em termos nominais, agora em fevereiro de 2015, se a gente compara o rendimento atual com janeiro, o nominal também apresentou uma queda, que foi de 0,3%”, afirmou Adriana.

“No mês não, no mês o rendimento pode variar bastante. Mas no ano, de fato há muito tempo não havia esse comportamento de retração.”

Quando são analisados os dados sobre tipos de atividades onde as pessoas estão empregadas, há estabilidade em quase todos os grupos em relação a janeiro. Porém, em comparação com fevereiro do ano passado, a ocupação caiu na indústria (-7,1%) e na construção (-5,9%). Nos serviços domésticos, houve alta de 7,1%.

Segundo Adriana Beringuy, serviços pessoais como manicure, cabelereiro, esteticista e serviços de estadia e alimentação foram os setores de Outros Serviços – que apresentou queda de 3,7% – que mais dispensaram em fevereiro, em comparação com o ano passado.

“Essa queda de 3,7%, esses 165 mil a menos, quem mais contribuiu para a queda foram serviços pessoais, que dispensou 70 mil pessoas, alojamento e alimentação, com dispensa de 34 mil, e transportes terrestres, com 30 mil. Estou destacando os principais.”

Já na indústria, a retração de 7,1%, também em comparação com fevereiro de 2014, foi influenciada pela dispensa de 47 mil trabalhadores no setor de montagem e serviços automotores, 46 mil de fabricação e alimentos e bebidas, 26 mil dispensas em máquinas e equipamentos, e 20 mil demissões em fabricação de máquinas e aparelhos elétricos, explicou a especialista. “Então, dentro das indústria, esses foram os que mais dispensaram.”

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