Cenário de avulsas pode mudar até as convenções
Redação DM
Publicado em 30 de junho de 2022 às 14:22 | Atualizado há 4 anos
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de permitir o lançamento de mais de uma candidatura ao Senado, por chapa majoritária, repercute fortemente em Goiás. Com o congestionamento de pré-candidaturas ao cargo na base do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), a previsão é que pré-candidatos que não estão bem nas pesquisa eleitorais tenderão a buscar novos projetos e composições dentro da base, o que poderá ocorrer até 5 de agosto, data de encerramento das convenções partidárias.
Até porque não há alternativas nas demais chapas concorrentes, que já definiram os seus pré-candidatos ao Senado. Gustavo Mendanha (Patriota) fechou com o deputado João Campos (Republicanos); deputado Major Vitor Hugo (PL), com Wilder Morais, do seu partido; a aliança dos partidos de esquerda e de centro-esquerda, da qual faz parte o PT, que ainda não definiu as candidaturas. Porém, esta é uma opção quase que impossível de ser aceita porque haveria restrições dos dois lados.
Resta ainda uma eventual opção com o PSDB do ex-governador Marconi Perillo, que ainda não anunciou o cargo a que pretende concorrer. O tucano promete anunciar sua decisão em 16 de julho, mas há dúvidas se o evento será mantido para essa data. Entre os tucanos mais próximos do ex-governador já há quem admite que deixar o anúncio para a última semana de julho haveria mais tempo para avaliação sobre a melhor decisão.
A divulgação das últimas pesquisas, especialmente a do Instituto Paraná, mais a decisão do T.S.E em relação ao lançamento de candidaturas avulsas, são convite a uma análise mais acurada da situação.
De acordo com decisão do TSE, respondendo ao questionamento do deputado Delegado Waldir (UB-GO), a coligação de partidos poderá ter mais de um candidato a senador, desde que seja dos mesmos partidos que integram a coligação de governador. Não serão permitidas as chamadas coligações cruzadas, ou seja, que se um determinado partido estiver numa coligação de governador, ele fica impedido de lançar candidato ao Senado por outra coligação.
Dificuldades
A decisão do TSE criou dificuldades para alguns personagens das eleições. São eles: o ex-governador Marconi Perillo; Gustavo Mendanha (Patriota) e o deputado Lissauer Vieira (PSD). É que os dois primeiros tinham esperança de conquistar o apoio de algum partidos que eventualmente viessem a se desgarrar da base, por não conseguir indicar os pré-candidatos dos seus partidos para a eleição de senador. Mas da forma como ficou a votação no TSE, essa possibilidade foi barrada, porque a chapa de Caiado poderá, sim, ter mais de um candidato a senador, desde que os seus partidos estejam coligados na eleição de governador.
Quanto ao deputado Lissauer Vieira, diante da decisão, ele fica impedido de concretizar a formação de aliança de apoio à sua pré-candidatura, com uma cambulha de partidos em que nem todos fossem, necessariamente, integrantes da base de apoio do governador.
O deputado federal Dr. Zacharias Calil enfrenta uma dificuldade legal e política: o União Brasil só pode lançar um candidato para a disputa à vaga de senador e o também deputado federal Delegado Waldir é o favorito no partido porque está bem posicionado nas pesquisas eleitorais.
Fator pesquisas
Aconteceu outro fato em junho que não foi positivo para a pré-candidatura de Lissauer: a divulgação da pesquisa eleitoral do Instituto Paraná, sobre a sucessão em Goiás, que confere ao deputado a última posição no ranking dos pré-candidatos ao Senado. Prestigiado com a visita do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o presidente da Alego é o nome da preferência da quase totalidade dos partidos da base.
Entretanto, dado ao pouco tempo do lançamento de sua pré-candidatura, mesmo com o grande apoio político que já recebeu dos partidos, este apoio ainda não se transformou em intenções de voto para o dirigente da Alego. Ou seja, não houve tempo para isso e nem é possível afirmar que esta haverá essa mudança, até o início de agosto.
Mas por outro lado, de todos os pretendentes à candidatura a senador, Lissauer Vieira é o que possui a melhor condição, por poder escolher entre duas opções. A primeira é de manter a pré-candidatura ao Senado e seja o que Deus quiser, independentemente de qualquer preocupação com pesquisas e resultado. A segunda alternativa do presidente da Alego seria a aceitar o compromisso feito pelo governador Ronaldo Caiado para com ele, de apoiar a indicação do seu nome para a próxima vaga de conselheiro que vier a surgir nos tribunais de contas.
Nota-se que o deputado Lissauer não possui perfil ideológico de esquerda ou direita, do tipo que vai para a eleição custe o que custar, mesmo que seja apenas para difundir as ideias do partido. Não, ele não tem este perfil, ao contrário, é pragmático. E como tal, o mais recomendável é dar tempo ao tempo – mas não muito tempo, porque o tempo está curto – para saber qual será, enfim, sua decisão.
Muitas vagas
E como há previsão legal para o lançamento de mais de uma candidatura ao Senado, ficou mais fácil a acomodação das postulações. Delegado Waldir (UB) é nome certo na urna eletrônica, porque lidera as pesquisas sem a presença do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Outros que em tese podem disputar a eleição de senador na condição de candidatos avulsos são o atual senador, Luís do Carmo (PSC) e o deputado Zacharias Kalil, que só de admitir a possibilidade de sair candidato, o seu nome já apareceu bem posicionado na pesquisa do instituto Paraná.
TSE veda coligações cruzadas para senador entre partidos
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu que partidos coligados em apoio a um concorrente a governador podem lançar candidaturas próprias ao Senado desde que a coligação não abranja as duas vagas (de governador e de senador).
A decisão veio após consulta que questionava se as coligações deveriam ter apenas um concorrente também na disputa ao Senado ou se poderia haver mais de uma candidatura à Casa Legislativa.
Apesar de permitir as candidaturas próprias, o TSE vetou as chamadas coligações cruzadas. Ou seja, os partidos da mesma aliança podem lançar mais de um candidato ao Senado, mas não podem criar coligações paralelas em torno dessas candidaturas “avulsas”.
A consulta foi feita pelo deputado federal Waldir Soares de Oliveira (PSL-PR) e deve ter impacto em diversos estados onde não há consenso de lançar apenas um nome para o Senado dentro das coligações.
O relator, ministro Ricardo Lewandowski, e os ministros Sérgio Banhos e Edson Fachin defenderam, além da candidatura avulsa, a possibilidade da coligação cruzada. Porém, eles tiveram os votos vencidos, nesse ponto, pelos entendimentos dos ministros Mauro Campbell Marques, Alexandre de Moraes, Carlos Horbach e Benedito Gonçalves.