Política

56%: é preciso levar a sério as ameaças golpistas de Bolsonaro

Redação DM

Publicado em 30 de maio de 2022 às 13:55 | Atualizado há 4 anos

As declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) com ataques a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e as ameaças sobre as eleições devem ser levadas a sério pelas instituições segundo a avaliação de 56% da população, mostra pesquisa Datafolha.
Uma parcela de 36%, entretanto, acha que as afirmações do mandatário não terão consequências, e 8% não sabem opinar.

O fato de a maioria dos brasileiros considerar importante uma reação às falas de tom golpista do chefe do Executivo contribui para elevar a pressão sobre os Poderes a quatro meses das eleições. Levantamento neste mês mostrou que autoridades têm se calado diante das atitudes de Bolsonaro.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país, na quarta (25) e quinta-feira (26). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

A percepção majoritária é a de que os gestos de Bolsonaro que flertam com deslegitimação do sistema de votação, contestação do resultado das eleições e ruptura democrática não podem ser ignorados.

Embora a maioria dos partidos de oposição e independentes afirme que a conduta de Bolsonaro rumo ao golpismo deva ser encarada com seriedade, autoridades da República procuradas neste mês pela Folha se recusaram a comentar o assunto.

Entre os que não responderam estão os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e do Supremo, Luiz Fux, além do chefe do Ministério Público Federal, Augusto Aras.

O presidente, que busca a reeleição, está no segundo lugar em intenções de voto no Datafolha, com 27%, e perderia no primeiro turno para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem 48%, mas alcança em votos válidos (critério considerado pela Justiça Eleitoral) a marca de 54%.

No grupo de entrevistados de 16 a 24 anos, que nasceram após a redemocratização do Brasil e correspondem a 14% da amostra da pesquisa, a avaliação de que as ameaças precisam ser levadas a sério chega a 67%, ante 26% que minimizam sua gravidade; 8% nessa faixa etária não opinaram.

Já na parcela com 60 anos ou mais, as posições são mais equilibradas: 46% veem necessidade de reação, 45% acham que não haverá maiores efeitos e 9% não sabem.

Diferentemente do observado em outros aspectos da pesquisa, no caso das agressões de Bolsonaro há visões parecidas entre seu eleitorado e o de Lula. Tanto entre os que declaram voto no presidente quanto aqueles que apoiam o petista, 57% dizem que as instituições devem se posicionar.

A outra opção é defendida por 34% e 37%, respectivamente. A fatia dos que não sabem é de 9% entre bolsonaristas e de 5% entre lulistas.

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