Fotos de grandes grupos
Redação DM
Publicado em 15 de fevereiro de 2022 às 14:12 | Atualizado há 4 anos
As décadas vão passando e as fotos vão se esvaziando, não de significados, que podem aumentar com o passar dos anos, mas devido à ocorrência cada dia mais frequente de desaparecimentos de pessoas.
O homem, único ser que sabe que vai morrer, assusta-se com essa realidade quando criança. A morte do primeiro conhecido é marcante, assim como o primeiro funeral, mas, após a vida adulta, em especial na maturidade, as imagens humanas, como pinos de boliche, vão tombando uma a uma, às vezes até mais rapidamente, com vários conhecidos partindo de uma vez só, como está sendo durante a pandemia de covid-19. O que era a granel vem no atacado, em vista do mal ser coletivo e universal.
Dois grupos em fotografias têm me chamado a atenção. As três imagens informais da minha turma de medicina são do segundo semestre de 1979. Esses jovens que se formariam daí a poucos meses estão na Praça Honorato Alves, vestidos de branco, na segunda foto estão na porta da hoje Unimontes – antes Faculdade de Medicina do Norte de Minas, e na terceira imagem estão dentro do auditório da faculdade. Além de nós, os acadêmicos, posam também alguns professores. Eram tantos os planos e as ilusões. Muitos alcançaram suas metas, ficaram famosos, outros falharam, morreram pobres e cedo demais, por doenças e em acidentes. Partiram mestres como José Geraldo de Freitas Drumond, Francisco Almir Pires e José Rametta, e entre os colegas Ulisses Ferreira Gonçalves, Maria do Rosário Xavier de Souza, Cisnando Gonçalves da Silva, Gilson Miguel da Silva, João Carlos Nere e Alberto Bicalho.
O segundo grupo é a Família Narciso, da minha mãe Milena Narciso. Trata-se de um retrato dentro da Catedral e se refere às Bodas de Ouro do casal Petronilho Narciso e Maria do Rosário de Souza Narciso tirado no dia quatro de outubro de 1981. Meu sobrinho Helder Etiene Narciso da Cruz Filho envolto em mantas, tinha nascido há 22 dias e estava no colo do seu pai Helder Etiene Narciso da Cruz, meu irmão. Era o mais novo membro da família. Desta foto de mais de 40 anos, já partiram Petronilho Narciso – meu avô materno; Maria do Rosário – Dona Du – minha avó materna; Zezinho Mendonça – primo de mãe e marido de Tia Ninha – Nininha Narciso Mendonça, falecida recentemente; Virgínia Narciso Mendonça – prima; José Geraldo Mendonça Júnior – Penninha Júnior – primo; Milena Narciso – minha mãe; Alcides Alves da Cruz – meu pai; Heldinho – meu sobrinho; Marília Macedo Narciso – prima; Dimas Lessa – marido de Tia Marly; Simone Narciso Lessa – prima; Renato Miranda – então marido de Maria Inez Narciso – Tia Dida; e Eduardo Narciso Caetano – primo. Lucas, filho do meu primo Marcos, também já partiu, mas não havia nascido na época da foto.
Entre avós, pais, tios, primos e sobrinho, já se foram para sempre quinze pessoas, sendo todas de doença, exceto uma em acidente de ônibus. Fora os colegas da faculdade de medicina, já citados. Da turma de jornalismo perdemos Rosângela Alves.
E assim vamos sofrendo perdas, computando o tempo juntos e os bons momentos de encontros familiares e de faculdade. Muitas marcas cada um dos que partiram deixaram em mim, nem todas foram boas marcas, mas vivi. É inevitável pensar em quem será o próximo.