Redes sociais: estabelendo limites para uma vida saudável
Redação DM
Publicado em 14 de fevereiro de 2022 às 17:34 | Atualizado há 4 anos
A vida do brasileiro está cada vez mais exposta em redes sociais, é o que aponta uma pesquisa da plataforma Cupom Válido. Cerca de 150 milhões de pessoas usam alguma rede no país, o que representa 70,3% da população.
Os jovens são os que mais consomem conteúdos disponíveis nestas plataformas, sendo o grupo que tem entre 16 e 24 anos o que mais as utilizam. O tempo gasto nas redes é de 6 horas e 54 minutos por dia, um tempo valioso que pode trazer consequências.
Entre as redes sociais mais utilizadas, o Facebook lidera o ranking, seguido pelo WhatsApp e pelo YouTube. Os perigos são vários, como as fake news que têm invadido não somente as redes, mas a cabeça de muitos internautas, comparações estéticas devido à exposição extrema ao culto ao corpo.
A psicóloga Kamila Moura afirma que o uso das redes sociais está atribuído à identificação da pessoa com um grupo.
“Nas redes sociais cada indivíduo tem sua função e identidade cultural. Sua relação com outros indivíduos vai formando um todo, que representa a rede e a criação de grupos de interesse. Atualmente temos a formação de uma nova sociedade, a qual denominamos de Aldeia Global”, diz.
Quanto à necessidade do uso das redes, Kamila explica que as pessoas precisam se identificar com um grupo e que as redes sociais passaram também a ser fonte de informação.
“A primeira questão é a necessidade de se relacionar e garantir contatos com os grupos, se identificar com pessoas parecidas com você e ter uma identidade. Podemos constatar uma segunda questão, as redes sociais deixaram de ser apenas uma forma de manter contatos, elas passaram a ser fonte de informação, atração de novos clientes, publicidade, oportunidade e também lazer”, conclui.
Porém, a identificação com grupos online e as horas passadas na internet podem trazer prejuízos a quem utiliza em demasia, como a ansiedade. É o que afirma um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no qual 41% dos jovens brasileiros alegam que as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão.
Kamila alerta que se o indivíduo não souber administrar sua vida online, os perigos ficam ainda mais expostos.
“O perigo se encontra na má administração da vida online, caracterizada por uma quantidade excessiva de horas semanais dedicadas às atualizações nas redes, necessidade de se autoafirmar e exposição exagerada da vida pessoal, gerando um impacto nas nossas emoções, como baixa autoestima, mal estar emocional, disforia, insônia, irritabilidade e inquietação” alega.
Kamila também afirma o que todos já sabem: o excesso pode causar dependência. Portanto, ela deixou dicas valiosas para que o uso de internet não se torne um caminho para uma mente ansiosa e deprimida.
Confira:
- Utilizar apenas redes sociais relevantes para evitar o excesso de novidades que vão tomar ainda mais tempo da sua vida;
- Desativar as notificações do celular para evitar que sua curiosidade seja despertada e te faça olhar seu perfil a todo momento;
- Deixar o celular longe do alcance de suas mãos para evitar o hábito de visualizar constantemente sua timeline;
- Definir horários para o uso das redes sociais, estabelecendo intervalos entre uma visualização e outra, que seja de 30 min inicialmente.
“E como forma de suprir as redes sociais, primeiramente precisamos exercitar o autoconhecimento, fazer uma autoavaliação e entender o que é lazer para cada um. Ao perceber o que gosta de fazer no seu tempo livre você começa a intercalar o uso das redes sociais com esses pequenos prazeres, como ler um livro, andar de bicicleta, passear com o pet, encontrar um amigo pessoalmente, esses prazeres que se encontram na sua vida real”, finaliza a psicóloga.