Política

Os goianos “puxadores de votos” para Câmara Federal

Redação DM

Publicado em 7 de janeiro de 2022 às 13:42 | Atualizado há 5 anos

A disputa pelas 17 cadeiras de Goiás para a Câmara Federal sempre acirra os ânimos e envolve muitos interesses políticos e, pois são os parlamentares que definem as verbas para as obras federais no Estado, através do “orçamento impositivo” e também pelas emendas individuais, de bancada e do relator.

Tradicionalmente, a disputa por cadeira de deputado federal envolve elevado volume de recursos financeiros, pois é uma eleição cara. Além do fundo eleitoral distribuído pelos partidos (dinheiro público), os candidatos podem utilizar verba de seu patrimônio pessoal.

Em Goiás, os partidos já correm atrás de nomes que possam ser os “puxadores de votos”, pois, com a instituição da federação (a coligação proporcional foi extinta), é necessário ter chapas competitivas, com prestígio eleitoral em todo o estado.

Dos nomes novos para a disputa à Câmara Federal, o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB) desponta como “favorito” para a corrida às urnas ao Congresso no pleito deste ano. Ele, que é empresário rural, atua em Rio Verde, importante cidade do Sudoeste Goiano, e conta com apoio de dezenas de prefeitos goianos.

Os candidatos que pertencem a partidos que integram a base do governo Ronaldo Caiado levam vantagem na disputa pelas 17 cadeiras à Câmara Federal por várias razões, entre elas de ter respaldo da maioria esmagadora dos prefeitos goianos. Estar em uma chapa em que o governador, que vai concorrer à reeleição, conta com amplo apoio popular, beneficia as chapas proporcionais – de deputado federal e de deputado estadual.

Pelo andar da carruagem, tudo indica que a atual bancada federal de Goiás poderá ser mantida em mais de 50% de seus integrantes, já que não é expressivo o número de “candidatos novatos” com possibilidade de votação expressiva nas urnas de 2022.

União Brasil
O União Brasil, partido que nasce da fusão do DEM e PSL e comandado pelo governador Ronaldo Caiado, deverá conquistar o maior número de cadeiras para a Câmara Federal em Goiás nas eleições de 2 de outubro.

Caso não concorra ao Senado, o deputado federal Delegado Waldir deve conquistar, novamente, nas urnas, votação expressiva, figurando nos primeiros lugares. Ele exerce forte influência junto ao eleitorado goiano, já que tem presença constante nas redes sociais e adota um forte discurso policial-populista em defesa das armas e do combate ao banditismo.

O Dr. Zacharias Calil, médico e especialista renomado internacionalmente em cirurgias de siameses, vai tentar novo mandato à Câmara Federal. Ele é um político considerado “outsider”, sem a prática costumeira de atrelar bases eleitorais interioranas ao seu projeto eleitoral. É outra aposta do União Brasil.

O deputado federal José Mário Schneirer, líder dos agropecuaristas goianos (é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás) também entra na disputa pela reeleição. Pode concorrer pelo União Brasil ou MDB.
Os secretários Rodney Miranda (SSP), Ismael Alexandrino (Saúde) e Pedro Sales (Goinfra) podem entrar na disputa para deputado federal e reforçar a chapa do União Brasil.

O PSD de Vilmar Rocha, Vanderlan Cardoso e Henrique Meirelles, aposta em formação de chapa competitiva para deputado federal em 2022: além do atual deputado federal Francisco Júnior, que vai concorrer à reeleição, o partido busca a filiação do presidente da Assembleia Legislativa Lissauer Vieira, que vai deixar o PSB, e o deputado federal José Nelto, atualmente no Podemos. As vereadoras Sabrina Garcêz (Goiânia) e Camila Rosa (Aparecida) vão entrar na disputa.

Enfraquecido nas eleições de 2018 e 2020, após comandar o estado por 16 anos, o PSDB cogita o lançamento das candidaturas do ex-governador Marconi Perillo, como “puxador de votos” e também os deputados estaduais Helio de Sousa e Lêda Borges para a Câmara Federal. Os tucanos deverão perder o único parlamentar federal: Célio Silveira deve se filiar no União Brasil ou MDB.

Sem muito bem votada nas eleições, a deputada federal Flávia Morais vai enfrentar novamente as urnas, em busca de novo mandato. Ela conta com uma forte base municipalista e leva vantagem pelo discurso em defesa da mulher da inclusão social.

O PT, que sempre assegura pelo menos uma cadeira à Câmara Federal em Goiás, deve lançar o deputado Rubens Otoni à reeleição, e ainda a atual deputada estadual Adriana Accorsi e Esdward Madureira, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), além de outros nomes menos expressivos eleitoralmente.

O PSB tem apenas uma aposta: o atual deputado federal Elias Vaz, que se elegeu em 2018 na rabeira da coligação com o PSDB. Agora, Vaz depende de consoligação de federação com o PT lulista.

O deputado federal Glaustin da Fokus, que tem influência no empresariado e em alguns segmentos evangélicos, principalmente da igreja Assembleia de Deus, terá que se beneficiar de federação com outro partido para tentar retorno ao Legislativo.

O PP vai tentar a reeleição dos deputados federais Adriano do Baldy e Professor Alcides, mas, também, vai depender de confirmação de aliança com outro partido, via federação.

O Republicanos, que é controlado pela igreja Univesal do Reino de Deus, vai jogar todas as suas fichas na eleição para a Câmara Federal no pastor Jeferson Rodrigues, atual deputado estadual. O deputado federal João Campos, atual presidente do partido em Goiás, poderá concorrer à reeleição, caso não consiga se viabilizar como candidato ao Senado.

O PL, do presidente Jair Bolsonaro, poderá ter dois candidatos à Câmara Federal em 2022: os atuais deputados Magda Mofatto e Major Vitor Hugo. Mofatto, que é empresária, tem uma base econômica que lhe assegura apoio lideranças municipais. Vitor Hugo busca candidatura majoritária (governador), mas poderá recuar e concorrer à reeleição.

Sem representante na atual bancada federal, o MDB, presidido em Goiás por Daniel Vilela, tenta atrair os deputados Célio Silveira (PSDB) e José Mário Schreiner (DEM) e busca o lançamento de novatos como o empresário rural Renato Câmara (Sudoeste).

O deputado federal Lucas Vergílio depende de formação de federação do Solidariedade com outra legenda para almejar volta à Câmara este ano.
O deputado federal Alcides Rodrigues também encontra-se em situação semelhante de Lucas Vergílio: o Patriota terá que firmar coligação com outro partido para viabilizar uma possível reeleição. Ele é ex-governador e agropecuarista no Sudoeste Goiano.

O DC cogita o lançamento do empresário Alexandre Magalhães e o ativista de redes sociais Gustavo Gayer ao Legislativo federal.

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