Política

Discurso de Wilder repercute na imprensa nacional e cita Marconi Perillo

Redação DM

Publicado em 12 de maio de 2016 às 13:46 | Atualizado há 2 anos

Discurso mais aplaudido dos senadores goianos até agora, o conjunto de palavras de Wilder Morais serviu para chamar a atenção do Congresso Nacional para a gestão do governador Marconi Perillo.

O senador foi citado pelo “Valor Econômico”, “UOL”, “Estadão” e foi a capa do “G1” nacional  enquanto discursava. O programa do Jô Soares também citou o goiano.

Durante a sessão sobre a admissibilidade do processo do impeachment, o parlamentar disse que Goiás caminha na contramão dos outros estados e que tem realizado o serviço  de casa ao dinamizar a economia.

No discurso, Wilder fala de economia e principalmente do desemprego.

 

Mas também toca em problemas graves do país, como a falta de segurança e o tráfico de drogas.

Sem perder a classe, o parlamentar  goiano foi o que apresentou as mais contundentes argumentações contra a gestão Dilma até aqui.

Wilder tem enunciado erros graves  na administração petista, como  o desrespeito ao Plano Nacional de Educação (PNE) e os erros conceituais no manejo das leis orçamentárias – caso da Lei de Diretrizes Orçamenárias e Plano Plurianual.

Veja íntegra do voto do senador Wilder Morais pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff:

 

 

[box title=”Voto do senador Wilder Morais no impeachment”]

 

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Senadores,

 

O Brasil vive um momento importante em sua história. E nós, senadores, somos chamados a decidir questão da maior relevância para a sociedade: instaurar o processo por crime de responsabilidade da Presidente da República.

Ao longo de mais de um ano, temos assistido, horrorizados, a uma sucessão interminável de denúncias de corrupção.

O Brasil vive uma crise política e econômica sem precedente. Mais que isso: uma inédita crise de confiança e de representatividade. A maioria esmagadora da população brasileira rejeita sua governante.

Ela se tornou impopular pela falta de respeito à moralidade. E por isso estamos votando o relatório do Senador Antonio Anastasia, ponto alto do momento político que vive o Brasil.

Tive o cuidado de ler com atenção o relatório. Quanto mais lia e acompanhava as discussões da Comissão Especial do Impeachment, mais pude ter certeza de que sempre estive do lado certo do debate: o lado que preserva a soberania popular em detrimento de um projeto de poder que se revelou ruim para os interesses do Brasil.

Alguém propaga que este processo é um “golpe”. Acreditar nessa mentira é o mesmo que defender que quem tem mandato está autorizado a praticar arbitrariedade sem lhe atribuir qualquer responsabilidade.

Todo agente público, inclusive a Presidente da República,  deve completa obediência à ordem jurídica. Ninguém pode se afastar da legalidade, seja qual for a justificativa para o desvio de conduta.

Cada conduta ilícita presente no relatório ilustra o estado de desordem que tomou conta do país. É tudo de extrema gravidade. É irresponsabilidade total na gestão fiscal e orçamentária brasileira.

Quem primeiro comprovou a ilegalidade foi o deputado Jovair Arantes, grande coordenador da bancada do meu Estado de Goiás, no seu relatório aprovado pela Câmara.

Parabenizo também o Senador Raimundo Lira. Mostrou equilíbrio e competência ao presidir a Comissão do Impeachment no Senado. Por mais que a presidente da República tente defender sua gestão, o senador Anastasia também mostrou o conjunto de irregularidades.

A denúncia tem todo requisito necessário para instauração do processo de impedimento da presidente. Além do mar de ilegalidade, a economia brasileira paga um alto preço, agoniza e pede socorro.

Porém, as instituições se mostraram fortes, o empresariado resistiu como pôde, o trabalhador sobreviveu – mesmo perdendo o poder de compra e até o emprego.

Ou seja, o brasileiro continua de pé graças à sua própria luta, apesar da maior carga tributária do mundo.

E da volta da inflação.  O emprego é o melhor programa social. O empreendedorismo é o melhor projeto para mudar de vida.

Não há nada mais indigno e humilhante para uma pessoa do que não conseguir sustentar sua família.

De país seguro para o investimento, o Brasil passou a ser visto com total desconfiança no cenário internacional. Agências avaliam que é um risco investir no Brasil. Isso afugentou o capital estrangeiro. A confiança externa só não é menor que a interna.

A presidente dá demonstração clara de não ter prestígio, nem força, nem respaldo político. Nem se ela quisesse conseguiria efetuar a mudança de que o Brasil precisa. O isolamento fez dela uma ilha cercada de problema por todo lado.

Tamanha crise só pode ser resolvida com uma coalizão que restaure a governabilidade e traga confiança. O que só será possível através do imediato afastamento da presidente da República.

O Brasil necessita, urgentemente, de um governante capaz de dialogar com toda corrente política do Congresso. Resgatar o Brasil dessa vergonhosa gestão. Extinguir os ranços de esquerda, Romper com a mentalidade retrógrada, premiar o mérito e não a militância.

Ao Congresso caberá fazer as reformas de que o Brasil precisa: a política, a tributária, a fiscal, a trabalhista e a do novo pacto federativo.  É hora de iniciativa moderna, como a terceirização e as organizações sociais.

Precisamos avançar.

É hora também  de discutir as leis penais. A violência tomou conta de tudo. Acabou a paz até em pequenas cidades. O Congresso é obrigado a fazer sua parte. Exigir do governo federal recurso para segurança pública.

Estados e municípios não aguentam mais.  Outro motivo da criminalidade é a droga, o mal do século. Precisamos jogar duro contra o tráfico. Retomar o controle das ruas. Devolver as praças para as famílias. Acabar com cracolândia e boca-de-fumo. Confiscar os bens do tráfico e investir na recuperação do dependente químico. Combater o desvio de dinheiro público.

O Ministério Público Federal liderou a campanha “10 medidas contra a corrupção”. O Congresso precisa assinar embaixo de cada uma delas. A Temer basta cumprir essas medidas e a Constituição.

Para combater a recessão, foi publicado o documento “Uma ponte para o futuro”. Nele, se restaura a fé na vocação empreendedora do brasileiro. O que falta a nosso povo é oportunidade. Falta ao novo presidente  dar essa oportunidade ao brasileiro.

No documento, Temer aponta um caminho para superar a estagnação econômica que traz tanta dor e sofrimento ao povo. Na contramão da crise, o meu Estado de Goiás dá bom exemplo ao Brasil.

Na gestão competente do governador Marconi Perillo, Goiás cresce mais do que a média nacional. Um dos motivos é que o governador visita os 246 municípios goianos a cada mandato. É disto que um governante precisa: entender a realidade local e suas desigualdades,  para não gerar mais desigualdades que piorem a realidade.

Deposito em Michel Temer a minha confiança e a minha esperança de que dias melhores virão. Acredito em sua capacidade de diálogo com toda a classe política, sem observar bandeira partidária,  e com toda a sociedade civil organizada.

Temer precisa integrar a Presidência da República a este País continental. A exemplo de Marconi Perillo, Temer deve percorrer o Brasil acompanhado de seus ministros. Não adianta ficar em Brasília. A agenda deve ser pelo Brasil a dentro. Longe de gabinete, perto da dificuldade do povo.

Outro ilustre goiano, Henrique Meirelles,  provavelmente, assumirá o Ministério da Fazenda. Meirelles foi excelente na iniciativa privada e no Banco Central. Vai enfrentar desafios enormes. Seu brilho estará em fazer o óbvio. Manter dentro do orçamento tudo que gastar. Gastar só o que tem. Não quebrar o contribuinte. Meirelles é um técnico com sensibilidade política. Sabe que o problema está no município. Sabe que não se pode dar atribuição a prefeitura sem lhe destinar recurso.

A população acha que pedalada fiscal foi o mínimo que a presidente cometeu. Por esse ângulo, o voto deve ser técnico, mas também político. Pelo conjunto da obra da presidente; por transformar a maior empresa brasileira numa central de escândalo; pela má gestão nas estatais;  principalmente na Petrobras e na Eletrobras; pelo arrombamento nos fundos de pensão; por aparelhar o setor público; pelo dinheiro do BNDES gasto em outros países.

A voz rouca das ruas exige uma providência. Da parte do Senado, vamos virar essa página, deixar na história esse dia de recomeço.

Não voto com alegria, mas com o dever. Nada pessoal contra a Presidente. Sou igual à maioria dos parlamentares, nunca tive contato com ela. A presidente sempre evitou o Congresso.

Portanto, não julgo a pessoa. Analiso o relatório.

Vamos deixar ao novo presidente a esperança de que sua primeira obra seja derrubar o muro usado  para dividir o Brasil e construir a ponte para o futuro.

O Brasil não vai mais perder tempo. O tempo a ser perdido acabou.

Voto SIM ao relatório do Senador Antonio Anastasia. SIM ao prosseguimento do processo de impeachment da Presidente, por entender que ela cometeu, SIM, o conjunto de crimes apontados na denúncia.

Para encerrar, presidente, sugiro ao novo presidente Michel Temer que acabe com mais um erro do governo que termina nesta noite.

Percorra o Brasil junto com seus ministros. Fique no mínimo dois dias por ano em cada Estado. Só assim para conhecer de perto o País. Sabendo da realidade em cada lugar, Temer vai evitar programas genéricos. A necessidade de um Estado é diferente da do outro.

O único detalhe que une o País é lutar pelo fim do atraso.

 

Muito obrigado.

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