Bittencourt propõe “pacto” contra Iris e PT
Redação DM
Publicado em 10 de maio de 2016 às 17:21 | Atualizado há 10 anosNos Estados Unidos, os pré-candidatos republicanos à Presidência Ted Cruz e John Kasich costuraram um pacto para derrotar Donald Trump, um magnata cujas ideias preconceituosas e distorcidas fariam mal ao País.
Baseado na mesma ideia, o engenheiro Luiz Bittencourt (PTB) sugere um pacto entre pré-candidatos a prefeito de Goiânia para derrotar um modelo de gestão que, segundo ele, empurrou a cidade para a maior crise administrativa de sua história.
Os personagens que criaram este modelo foram o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) e o PT, partido do prefeito Paulo Garcia. “Contra o mal que eles causaram e ainda podem causar a Goiânia, proponho um pacto que reúna toda a oposição”, diz Bittencourt.
O pacto não reuniria todos os pré-candidatos em um mesmo espectro de alianças. Pelo menos não no primeiro turno. Mas implicaria em incluir nos discursos de todos os signatários do acordo a tese de que o eleitor agirá melhor se optar por um deles, que publicamente deverão dizer que estão comprometidos com a proposta de romper com os vícios e distorções que, na opinião de Bittencourt, transformaram Goiânia na “cidade do lixo”.
Veja trechos da entrevista.
Qual é a proposta do pacto? A que interesses ele serve?
– Há 16 anos, PMDB e PT têm causado malefícios a Goiânia. Os índices de qualidade de vida despencaram no período. Noto que hoje a quase totalidade dos pré-candidatos a prefeito defende um modelo administrativo diferente do que foi adotado pelo Iris Rezende, Pedro Wilson e Paulo Garcia de 2001 para cá. No discurso de todos está embutida a ideia da mudança, do resgate de valores, da moralização e da recuperação do status que um dia a Capital já teve. A proposta do pacto é o reconhecimento público e coletivo de que Goiânia precisa virar a página. Os signatários deste acordo sinalizarão, de forma clara, que não compactuam com vícios e distorções que destruíram a prefeitura nos últimos anos. O pacto vai mostrar de que lado cada um está. O atual cenário não permite que haja soluções de meio-termo. Ou a cidade elege um prefeito que compactua com tudo que aí está; ou um prefeito disposto a aplicar um choque de gestão. Que adote o planejamento de curto, médio e longo prazo. Que seja honesto, transparente e que ouça a população antes de tomar decisões importantes. Não dá para ficar no meio do caminho. Goiânia não suporta mais.
O senhor afirma que vícios e distorções criados pelo PMDB e pelo PT destruíram a prefeitura nos últimos anos. Quais foram?
– A prefeitura de Goiânia não atende mais à finalidade para a qual ela foi criada. Com o passar do tempo, o interesse coletivo ficou de lado. Os engravatados que se escondem nos gabinetes começaram a não se importar mais com as lâmpadas queimadas, com os buracos nas ruas, com o alastramento da dengue, com a lotação dos ônibus, com o atraso na coleta de lixo ou com o preço hiperinflacionado de obras realizadas na correria, de modo a atender o calendário eleitoral. A melhor definição para ‘prefeitura de Goiânia’ ao longo das gestões do PT e do PMDB é: um amontoado de cargos comissionados que serviu para acomodar a base de sustentação política e ampliar o leque de aliados para a eleição seguinte. Não só serviu como ainda serve. Só para conchavos políticos.
Serviu a quem?
– Tomemos o exemplo do que aconteceu em 2010. Como todos se lembram, pouco mais de um ano antes Iris havia sido reeleito para mais um mandato como prefeito. Não chegou a ser surpresa, mas ele logo jogou no lixo o voto de confiança que recebeu de mais de 70% do eleitorado goianiense para ser candidato a governador. Uma aventura sem pé nem cabeça. Ficou a impressão de que, na mente dele, Goiânia sempre foi pequena demais para o seu talento, entre aspas. Naquela época, a prefeitura foi usada como trampolim para o seu projeto político. Governar a cidade deixou de ser o fim e se transformou no meio, uma ferramenta para satisfação de ambições pessoais. É claro que isso não poderia dar certo. Na minha opinião, estas distorções estão no cerne de todos os problemas financeiros que a prefeitura hoje enfrenta. O patrimônio público não foi administrado de maneira austera porque a austeridade não convinha aos planos políticos de quem estava dando as cartas naquele momento.
O senhor considera possível mudar a mentalidade de uma estrutura administrativa inteira, como a prefeitura? Não é utopia pensar que existem meios de blindá-la contra o risco de servir de “trampolim” para projetos políticos?
– Os maus políticos se beneficiam da bagunça que eles próprios criam na administração pública. Quando não se sabe o que esperar de uma prefeitura, surge uma ampla margem para os mal intencionados se movimentarem. O Brasil avançou muito em mecanismos de controle, como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas ainda existe um longo caminho pela frente. O Legislativo tem de ser mais duro na fiscalização do Orçamento. O Plano Plurianual não pode ser peça de ficção, como é hoje. O próximo prefeito de Goiânia tem de entender que planejamento não é só um termo bonito para embelezar discursos de campanha. E o mais importante: sem transparência e diálogo a gente não vai a lugar algum. Transparência no manuseio do dinheiro público. Diálogo como prática cotidiana, como rotina. Somado a isso, um plano severo de cortes de gastos administrativos. Não tem segredo, a receita é essa.
Quais tipos de cortes nos gastos administrativos o senhor defende?
– Corte de carros oficiais, de cargos comissionados e de altos salários para os apaniguados, basicamente. O goianiense pode ficar tranquilo: eu jamais reduziria o horário de funcionamento da prefeitura, como fizeram no passado recente. A administração tem de funcionar 24 horas por dia. Nós, agentes públicos, temos de trabalhar o tempo todo. Se os problemas aparecem em Goiânia dia e noite, não há justificativa para o prefeito e os seus secretários trabalharem só até o meio-dia. Entenda que a mudança mais importante é na relação entre governo e cidadão, que hoje carece de sinceridade e de confiança.