Brasil

Cultura política nanica com intolerância abismal

Redação DM

Publicado em 29 de janeiro de 2016 às 23:30 | Atualizado há 10 anos

A sociedade deve cobrar da governante máxima e do congresso nacional, prestação de contas sobre as providências tomadas, no tocante ao corte de despesas, a fim de equilibrar receitas e despesas e, assim, estabelecer as bases para o tão almejado ajuste fiscal, proposto pelo ex-ministro Joaquim Levy, pois ele é vital para que a economia volte a crescer, saia da insolvência, dome a inflação, o PIB mostre cara nova. A sua proposta, fruto de trabalho acurado, batia de frente contra todos os agentes responsáveis pelo o atual atoleiro econômico, demais, exigia pulso, mão forte da presidência e do congresso, no combate as causas: despesas supérfluas, privilégios, mordomias, milhares de comissionados, com salários polpudos, vida faustosa das cortes palacianas e congresso nacional. O mesmo nas assembleias legislativas e palácios de governos estaduais. “Tudo dantes como na corte de Abrantes.” Pouco se fez até agora, o fausto prossegue, faz ouvido mouco, à modéstia na administração pública.

Assim, a redução nos gastos perdulários só acontecerá com a constituição de comissão, de alto nível, para inventariar todas as despesas abusivas e propor, aos dirigentes máximos, os respectivos cortes. Divulgar os resultados, não fugindo a lei de acesso à informação, aliviando a pressão, junto aos altos mandatários. No tocante a previdência, a mais pesada, como é notório, o privilégio prepondera, em toda a esfera pública, consoante, a lei de acesso, o povo tem direito de conhecer a folha de pagamento das aposentadorias, super-salários, seu peso, no orçamento global. Isto porque, no lugar do arrocho, corte de despesas proposto, ganha, a cada dia, mais força, o aumento de tributos, o que era possível aumentar, sem nova lei, se fez, à sombra do contribuinte, assoberbado e grilado, com carga tributária e falta de parcimônia, escrúpulos, na sua aplicação.

A tolerância com as regalias, na esfera pública, se deve a falta de cultura política, conhecimento fundamental ao bom funcionamento da democracia, prepondera, ao longo da história, a baixa qualidade na educação básica, mascarando a educação política imanente a ela. Entrementes, somando-se a aquela, avulta-se outra maior, a tolerância com a insegurança de cada dia, drama singular no seu cotidiano, viver enjaulado nas residências, condomínios, edifícios, neles, prepondera uma superestrutura, montada de ferros, ferrolhos, guardas de seguranças, para se proteger contra hordas desordeiras, criminosas, vive, dessa forma, prisioneiro, em sua própria moradia, enquanto os inimigos da ordem constituída roubam sua liberdade, privacidade, cumuladas, com proventos, suor da vida laboriosa. Os assaltos, segundo as estatísticas, que aconteciam até pouco tempo, um em cada cento e cinquenta minutos, em vez de regredir, aumentaram, pois, pularam para mais, agora, acontecem de noventa em noventa minutos.

Acresce ainda leitor, essa outra tolerância, saber que os governantes, perdulariamente, deixaram de lhe proporcionar, impondo como legado o culto à subserviência, até no ato de votar, o voto subserviente leniente usurpa, escorraça, solapa, o voto consciente sapiente, independente. Tolerância, e quanta! Desleixo, vistas grossas, com a subcultura corruptiva, super-faturando orçamento público, constituído, a duras penas, pelo imposto arrecadado. Encontra-se ele embutido em tudo, até o mais pobre dos pobretões, o mendigo, paga tributos. Portanto, merece aplauso, o estado, no tocante a estrutura arrecadadora montada, no entanto, repudio veemente protesto, na aplicação, pois a faz de forma bolorenta, inescrupulosa, contudo, a sua tolerância alcança raia abismal, porquanto, aceita de camarote, tão venial prática criminosa.

Em vez de cortar toda sorte de mordomias, gastos com a burocracia – houve, em tempos idos, até um ministério da desburocratização –, no entanto, ela persiste insossa, na contramão da história, pois, concede ao país, o título jocoso de mais lerdo, lento do mundo. No lugar de reprimir, com maestria, mão de ferro, todos entulhos que emperram a máquina pública, usa seu poder, quanto poder! Cooptando, deputados, senadores, toda autoridade influente, para apoiar a volta do malsinado imposto do cheque, o CPMF, imposto este, na época, denunciado por uso indevido, em despesas supérfluas nas cortes palacianas. Reportando, de novo, à troca de ministros, o Joaquim pelo Barbosa, na fazenda, este, foi assessor do ex-ministro Mântega, esfaimado, por ter conduzido, levado o país à bancarrota, PIB abaixo de zero, objeto de recente crítica internacional, pela tamanha dissonância no conserto das nações.

Admitindo como legais os abusos praticados pela presidenta, mergulhando a nação na depressão, forçoso é aceitar que, da forma como vem sendo feitos, tais regalias, diferem muito pouco, dos poderes do rei de França, Rei Sol, Luiz XV, que se intitulava dono do estado, advindo daí a expressão usual por ele: “L’État, c’est moi”- o estado sou eu. Navegando, mundo afora, não fica, quase nada, a dever ao poder divinal, reinante em Cuba, cobiçado, muito cobiçado pelo senhor Maduro, presidente da Venezuela, as voltas, com uma inflação, segundo o noticiário, beirando duzentos por cento, ao ano.

Coube ao ex-presidente Lula iniciar, conduzir o modelo político, continuado pela presidenta, que acabou desembocando, na atual bancarrota, ora foi ele, sempre, eterno enamorado do ditador Cubano, vitalício, na época, Fidel Castro, de igual forma, do falecido Hugo Chaves, da Venezuela, bem como, do presidente renitente, Morales, entregando, quase de graça, patrimônio da Petrobras, na Bolívia, confiscado por ele, desobedecendo às normas internacionais.

Pensando, com os bastidores da história, essa ideologia esquerdizante, essa adoção por ambos: Lula e Dilma, dos modelos de desenvolvimento da Coréia do Sul e Taiwan, crescimento por meio do endividamento, sem poupança, como a conseguida lá, de mais de cinquenta por cento do PIB, política macroeconômica conduzida com austeridade, a daqui, com pedaladas, corrupção endêmica, república do faz de conta, doutrinação ideológica nas salas de aulas, ao arrepio da lei, impune, levando o país à bancarrota, não será proposital? Parte de um jogo maquiavélico, destinado a estabelecer condições propícias a um golpe capaz de perpetuá-los, como os outros, no poder?

Minar as bases da democracia, subvertendo a ordem, bagunçando a economia, era estratégia basilar do comunismo internacional, guerra fria, afinal, fragorosamente derrotada, na sua maior experiência mundial, com o fim da URSS, quase cem anos de experiência amarga, para o sofrido povo russo, libertado por Mikail Gorbachev, herói da vida real. Embora todos os percalços, abusos de poder, afastar um governante ruim, para entronizar outro da mesma laia, mesma forma, em nada contribuirá, para sanear a república, por outro lado, não há como acreditar na inocência dos dois últimos condutores da política nacional, no que diz respeito a roubalheira, em apuração, pela operação lava jato, de forma resoluta, descoberta pela Polícia Federal, e, corajosamente, em apuração, pelo juiz Sergio Moro. Não penalizá-los vem a ser o mesmo que abrir, preparar caminho para a reincidência, no amanhã, dos mesmos abusos.

Assim leitor, a opção que resta é a da iniciativa popular, figura constitucional, já usada para conseguir a lei da ficha limpa, promovendo, por meio de consulta popular, a dissolução, como no parlamentarismo, da presidência e do congresso nacional, nos estados, governos e assembléias, no âmbito municipal, eleições serão realizadas, em outubro. Ato contínuo, a convocação de eleições gerais, no lugar das campanhas nababescas, promover o uso das solas dos sapatos, diálogo com a sociedade eleitora. Faça corrente leitor, forme opinião, pela dissolução e eleições limpas, mudança de paradigma, trocando o voto subserviente-leniente, pelo voto consciente-sapiente, bem controlado, pela justiça eleitoral.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)


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