Dilma: Modelo de 2015, do quanto pior melhor, se esgotou
Redação DM
Publicado em 6 de janeiro de 2016 às 23:05 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA — Bem-humorada após o nascimento de seu segundo neto na manhã desta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que o modelo de 2015, do quanto pior melhor, se esgotou e que este ano será um ano melhor do que o passado. Em café da manhã com jornalistas, Dilma afirmou ainda que sua relação com o vice Michel Temer está “ótima” e defendeu as operações de combate à corrupção. Disse que há vazamentos seletivos e que a “reviraram do avesso”. Celebrou o fato de, segundo ela, a impunidade estar ameaçada.
Sobre o impeachment, defendeu que seja julgado o mais rapidamente possível porque, depois que isso acontecer, tudo começará a ficar mais claro. Para a presidente, no ano passado, houve uma relação entre a crise econômica e a crise política e o governo gastou muita energia lutando contra as chamadas “pautas-bombas”.
— Quais são as alegações existentes para construção de uma crise política? É qual? A alegação do julgamento do TCU, não é bem isso? É o quê? Essa é uma questão que cada vez vai ficar mais clara, porque agora tudo vai ser julgado. Tudo vai ser analisado. Daqui para frente, vai ficar claro quem é a favor e quem é contra. Eu não estou dizendo que tem que apoiar o governo para ser a favor do Brasil. Não é possível achar também que nós repetiremos 2015. Não vai ser repetido 2015. Eu acho que esgotou o modelo de 2015 do quanto pior melhor — afirmou Dilma.
A presidente disse que a crise de representatividade que a população sente em relação aos políticos se deve em grande medida ao fato de alguns interesses serem “filtrados por interesses menores”. Ela disse que conversará com a oposição, algo que, segundo ela, nunca se recusou a fazer. Dilma negou que o PT tenha pedido a ela que dê uma “guinada à esquerda”, mas afirmou achar bom que o partido tenhas suas posições.
Para a presidente, as diferentes operações de combate à corrupção que estão sendo feitas vão permitir que, no futuro, haja uma relação “mais correta com a coisa pública”. Ela voltou a defender que pessoas que cometeram erros sejam punidas, mas que as empresas continuem de pé. Nesse momento, ela aproveitou para fazer uma defesa sobre sua própria conduta.
— Eu tenho clareza que devo ter sido virada dos avessos. E tenho clareza também que podem continuar me virando dos avessos. Sobre a minha conduta não paira nenhum embaçamento, nenhuma questão pouco clara — afirmou.
Embora tenha admitido que há vazamentos seletivos, ela disse que não é o Ministério Público que vaza, e advogou que não deve haver dois pesos e duas medidas.
— Eu tenho medo é da espetacularização e dos vazamentos. Eu tenho muito medo porque os vazamentos não se dão num quadro de apuração de responsabilidades. Quando eles se derem num quadro de apuração de responsabilidade, eu acho que é importante que seja difundido para a população. Agora, não é possível ter dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil. É só você fazer contagem de páginas de notícia que você descobre para quem é. Não é o Ministério Público que vaza — disse.
Para Dilma, é preciso fazer diariamente reformas administrativas e readequação nos cargos para que não haja pessoas ocupando cargos públicos desnecessariamente. Essa reforma, disse, é “crucial para reduzir os erros do governo. A burocracia talvez seja o maior equívoco de um governo.”
Descontraída, Dilma disse que sairia do Planalto direto para Porto Alegre para visitar a filha, pois se não fizesse isso, seria um erro “gravíssimo”. Já no fim da entrevista, enquanto conversava alegremente numa rodinha cercada de mulheres, confidenciou que ela é uma das únicas avós que acham recém-nascidos bonitos. Ela também brincou com cinegrafistas, dizendo que acordam cedo para filmá-la pedalando, mas que hoje chegaram atrasados. Disse que já perdeu 17 quilos com a dieta Ravenna, mas que agora não está a seguindo tão rigidamente. Perguntada sobre sua relação com o ex-ministro da Educação Cid Gomes, disse que ele é uma das poucas pessoas que ela considera “especiais”.