Governo alemão defende refugiados após onda de ataques
Redação DM
Publicado em 5 de janeiro de 2016 às 05:40 | Atualizado há 11 anosBERLIM – Uma série de denúncias de assédio sexual, roubo e estupro durante o Ano Novo apresentadas por 90 mulheres em Colônia colocou refugiados na mira na Alemanha. Segundo relatos das vítimas, os crimes teriam sido cometidos por homens com aparência árabe ou norte-africana, entre 18 e 35 anos. A extrema-direita fez pressão sobre a prefeitura e a chanceler federal, Angela Merkel, afirmando que é necessário fechar as fronteiras. O governo reagiu, alertando contra preconceitos a migrantes que buscam refúgio no país.
Segundo a polícia, cerca de mil homens haviam se separado em grupos pequenos durante a festa, enquanto as autoridades tentavam evitar que pessoas jogassem fogos na multidão a partir dos prédios. Horas depois, dezenas de mulheres relataram roubos, abusos sexuais, agressões e assédio pelos homens, aparentemente embriagados. Uma alegou estupro.
Uma testemunha relatou a um jornal local que um grupo de homens passou as mãos dentro de seu vestido, e outra disse ter tido saia e roupa de baixo rasgadas. Segundo um policial, oito homens presos no dia carregavam papéis de requerimento de asilo. Outros dez ataques semelhantes foram registrados no Ano Novo em Hamburgo (Norte).
Organizações de extrema-direita voltaram a atacar o grande fluxo de imigração para o país, que recebeu mais de um milhão de requerentes em 2015. Grupos de cunho neonazista culparam os refugiados.
— Senhora Merkel, sua Alemanha cosmopolita e colorida é suficiente após a onda de crimes e ataques sexuais? — ironizou Frauke Petry, a líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal legenda da direita radical, antes de pedir o fechamento das fronteiras.
A nova prefeita da cidade, Henriette Reker, convocou uma reunião de crise e anunciou um reforço nas medidas de segurança após protestos na cidade, ontem, mas disse que é “completamente impróprio acusar os refugiados apenas pela aparência dos agressores”.
O gabinete de Merkel não quis deixar que condenações pelos crimes não se mesclassem com xenofobia. Para o ministro da Justiça, Heiko Maas, a “nova escala intolerável de crime organizado” não diz nada sobre os refugiados.
— Os ataques são covardes e vis, mas a lei criminal mostra que é importante provar um crime. Não importa de onde alguém vem, e sim o que fizeram.
— O aspecto dos agressores não pode levar a uma suspeita geral sobre os que buscam refúgio — condenou o ministro do Interior, Thomas de Maizière.