Cotidiano

Líder do novo Legislativo venezuelano é polêmico e experiente

Redação DM

Publicado em 5 de janeiro de 2016 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

CARACAS – Controverso dentro da própria oposição por seu gênio forte, e odiado pelos governistas, Henry Ramos Allup — que se torna aos 72 anos presidente da nova Assembleia Nacional da Venezuela — é famoso por sua língua feroz e pelas críticas contundentes ao falecido presidente Hugo Chávez, e agora a Nicolás Maduro. Não por acaso, o chefe de Estado costuma citá-lo com frequência em seu programa “Em contato com Maduro”, o que já rendeu piadas nas redes sociais e comentários jocosos do próprio Allup.

Mais afeito à ala combativa e linha-dura da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), mas contrário às manifestações de rua, Allup é secretário-geral e filho de um dos fundadores do partido Ação Democrática — legenda social-democrata que exerceu a hegemonia durante os primeiros anos da democracia no país. Advogado de formação, é também um dos mais antigos políticos em exercício na Venezuela: aos 15 anos foi eleito o primeiro presidente do centro estudantil do liceu onde estudava, em Valência, cidade onde nasceu.

Em 1994, foi deputado na Assembleia Legislativa de Carabobo, e por quatro vezes representou seu estado no Congresso. Em 2000, foi eleito por Caracas pela primeira vez. Mas, em 2005, decidiu não se candidatar mais como forma de protestar contra o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), por uma suposta parcialidade com o governo.

Em 2010, quando sua legenda já fazia partida da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), Allup conseguiu se eleger ao Parlamento Latino-americano. Durante sua atuação, até o ano passado, destacou-se por rejeitar com veemência as políticas do governo atual. As críticas contundentes ao oficialismo fizeram com que conquistasse mais de 1,3 milhão de votos nas últimas eleições parlamentares, pela circunscrição 3 (Distrito Capital).

Mas, se sua experiência é elogiada por seguidores — que o veem como uma figura bem preparada para liderar as dezenas de partidos que compõem o bloco opositor — seus críticos defendem que Allup representa uma ala ultrapassada dentro da política venezuelana.

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