Brasil

Anápolis dá o tom para 2018

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2016 às 22:47 | Atualizado há 11 anos

No meio político costuma-se dizer que o início de uma eleição é marcado pelo fim de outra. O sucesso de um projeto eleitoral, portanto, passa diretamente pelo planejamento realizado após os resultados e a montagem de um mapa político organizado a partir de vencedores e derrotados no pleito recém-encerrado.

No entanto, para Goiás, as combinações de resultados e cenários antecipam esta máxima e, ao que tudo indica, neste 2016, o mapa para 2018 começa a ser desvendado e planejado principalmente antes das eleições municipais. Isto porque as estratégias de quem é e, principalmente, de quem não é candidato em outubro próximo, passam a valer e a influenciar as alianças e planos para 2018.

Nesta situação específica, a cidade de Anápolis torna-se ainda mais protagonista em 16 e, decisiva, para 18. Os preparativos para 2016 significam vida e morte para muitos projetos das eleições estaduais. Um dos nomes mais proeminentes nesta análise é o do ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide. É ele o único nome efetivamente competitivo do PT para Goiás e, portanto, sua participação em 2016 deve ser a de expectador e articulador da campanha de João Gomes à reeleição, mas não a de um candidato. Tornar-se candidato a vereador e, possivelmente, eleito como o mais bem votado, pode inviabilizar sua ascensão como candidato ao Governo em 2018.

Esta possibilidade é ainda reforçada se analisarmos a organização política de Goiânia envolvendo o PT e prováveis aliados. Com uma realidade caótica, Goiânia não tem condições de ofertar nomes fortes para as próximas eleições, o que reforça ainda mais a responsabilidade de Gomide em ser o candidato de Anápolis e do PT ao Governo de Goiás. Mais uma vez: se vereador, Gomide enterra seus planos ao Executivo estadual de 2018.

Se o PT mantém esta prerrogativa, o mesmo também acontece ao PSDB. Anápolis é o celeiro de nomes que podem tornar-se fortes para a sucessão de Marconi Perillo. O deputado federal Alexandre Baldy, principal pré-candidato tucano, tem pela frente uma escolha difícil. Ao se lançar candidato pode perder seu espaço como pré-candidato em 2018. Se ganhar a eleição, fica sem jeito de deixar o mandato com pouco mais de um ano de gestão para ser candidato a governador. A ação pode soar como irresponsabilidade e ter o teor de uma aventura. E, já se perder, Baldy expõe debilidade na sua força política em sua cidade e vai para o fim da fila entre os pré-candidatos.

Correndo em paralelo estão DEM e PMDB, cujos nomes podem roubar a cena nestas eleições em decorrência desta estratégia dos candidatos dos partidos com mais ambições. A união das duas legendas em um projeto para a Prefeitura de Goiânia neste ano pode dar o tom para 2018 e fazer de Ronaldo Caiado um candidato natural ao Governo de Goiás.

A cidade de Anápolis, portanto, possui um papel de alavancar ou enterrar carreiras para as próximas eleições. Em sendo assim, os principais nomes dos partidos que capitaneiam o processo devem ficar atentos quanto a quem vão lançar e aos nomes que devem preservar como trunfos para o próximo pleito, bem maior e, claro, bem mais significativo.

 

(Ernani de Paula, empresário, ex-prefeito de Anápolis)


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