Intolerância política ou justa indignação?
Redação DM
Publicado em 4 de janeiro de 2016 às 22:32 | Atualizado há 11 anos
No último triênio a questão política foi definitivamente exposta – dessa amplitude se constata uma dicotomia entre posições ideológicas: mais à esquerda ou mais à direita de determinada situação.
A ala esquerdista brasileira, formada principalmente por partidos, sindicatos e movimentos sociais, se caracteriza pelo apoio ao atual governo federal, uma vez entenderem que o mesmo, historicamente, defende causas que estariam vinculadas ao ideário vermelho: intervencionismo econômico, crença no estado paternal e salvador, solução dos conflitos sociais via decretos e promoções, proteção à criminalidade em função de uma suposta causa social na origem e uma extensa confusão entre o que seja caridade e assistência social constitucional (este ponto válido somente para os mais inocentes).
Os “direitistas”, grandemente representados por indivíduos cidadãos, até porque não há um partido político claro de direita, são aqueles que não concordam com a direção implementada nos últimos anos, entendem que essas ações possuem seu fim em si próprias: populismo, demagogia e manutenção do poder por chantagem – Acredita essa “direita” que um mercado sem tantas intervenções, menos impostos e leis, mais ações de incentivo à educação e pesquisa e sem tanto vitimismo social, poderia ser melhor para o País.
Desse confronto, seria normal esperar certo nível de agressividade, entretanto, de maneira surpreendente, excetuando um ou outro episódio isolado, não se nota violência propriamente dita, há sim altercações verbais ou escritas (mais comuns), há certo desconforto em ambientes familiares ou de encontros sociais, porém, nada que se aproxime de uma guerra de sangue, ainda que alguns líderes da esquerda tenham expressado (fanfarronamente) intenções nesse sentido.
Também de forma extraordinária, é possível perceber que existem ações no sentido de acirrar os ânimos, quando se pretende separar classes sociais ou de raça por meio de discursos inflamados.
Embora o objetivo seja evidente – dividir para reinar, no caso, manipular – parece que o povo não engoliu essa isca totalmente, muito transparente nos famosos (e falsos) jargões: “Nós contra eles”, “não gostam de pobres”, “o povo no poder”, “as elites midiáticas”…
Alguns meios de comunicação da imprensa nacional tem abordado o tema (“direita” versus esquerda) qualificando qualquer ato mais incisivo como “intolerância política”, geralmente quando elementos da esquerda são confrontados – Nessa época onde o mínimo revirar de olhos é considerado politicamente incorreto, um palavrão é pecado capital.
A boa educação é regra sempre, entretanto, a quem aproveita essa tentativa de constrangimento prévio, onde expressar cordialmente (vindo do coração) toda a raiva pela situação seja errado? Onde, no mundo, um xingamento é pior que um murro na face?
O que chamam de intolerância, passa muito bem por simples discussão, os próprios plenários das casas legislativas, Brasil afora, tem exemplos de ofensas duras todos os dias e nem por isso são condenados por exercerem seus direitos de explosão oral – Se havia alguma dúvida sobre a passividade do brasileiro, esta não existe mais, pois nenhum povo intolerante suportaria tanto castigo tanto tempo, apenas xingando, um e outro, de vez em quando!
A indignação tem muitas e variadas fases, muitas vezes o que impede que ela passe para um nível mais inconsequente é o singelo desabafar, seja por meio de panelas, protestos nas ruas, seja por impropérios infantis, os quais em nada prejudicam seriamente seus alvos.
Não é possível ainda, saber quem sairá vencedor desse embate, porém, passa-se da hora de ocorrer, visto que durante muito tempo já, fomos uma nação de um lado só, lado que colocou o pais na situação difícil ora vigente, mesmo que nunca assumam essa responsabilidade, o que alimenta ainda mais o sentimento de revolta.
Talvez se houvessem existido mais gritos nas ruas, nos shoppings, restaurantes e aeroportos, mais contundentes e menos educados, não se estaria hoje calculando quantos anos se perderam nessa malfadada aventura – uma reprimenda no momento certo faz milagres e é bem melhor que tapas, qualquer criança sabe disso.
Portanto, tentar censurar a voz da indignação não é muito sensato, salvo se o plano seja mesmo criar o verdadeiro e violento caos, porque uma nação suporta muita coisa, mas muita coisa aguarda somente uma faísca, tudo tem um limite, não é hora de testes.
(Olisomar Pires, escritor – olisoblog.com)