Advogada se retrata após vídeo sobre mansão ligada a Richarlison e apaga publicação
Léo Carvalho
Publicado em 3 de julho de 2026 às 12:50 | Atualizado há 18 minutos
Advogada Zantut divulgou nota pública de retratação após reconhecer imprecisões em vídeo sobre o caso da chamada "mansão de Richarlison" | Foto: Reprodução/Mike Egerton
A advogada imobiliária Ana Paula Zantut divulgou uma nota pública de retratação e esclarecimento após a repercussão de um vídeo publicado em suas redes sociais no qual comentava uma suposta disputa judicial envolvendo um imóvel conhecido como “mansão de Richarlison”, localizado em Ilha Comprida, no Rio de Janeiro.
Na nota, a advogada afirma que sua análise inicial foi baseada em notícias antigas e desatualizadas e que, após examinar de forma mais aprofundada a documentação processual, constatou que havia “imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso”, incluindo informações relacionadas às partes envolvidas, ao desenvolvimento dos acontecimentos, aos direitos discutidos e à natureza jurídica da controvérsia. Em razão disso, ela informou que apagou os vídeos publicados anteriormente e declarou que todas as afirmações e conclusões apresentadas no conteúdo devem ser desconsideradas.
Segundo Ana Paula Zantut, a forma resumida como tratou o assunto, somada à complexidade do caso e à existência de elementos processuais que não haviam sido analisados naquele momento, acabou transmitindo ao público informações insuficientemente contextualizadas e incompatíveis, em pontos relevantes, com a situação jurídica do processo. A advogada informou ainda que prepara um novo vídeo com uma análise técnica mais detalhada sobre os fatos e o histórico processual.
Caso ganhou repercussão nas redes
O caso ganhou ampla repercussão após o jogador brasileiro Richarlison, o Pombo, compartilhar o vídeo da advogada em suas redes sociais. A publicação também foi reproduzida por diversos perfis e serviu de base para reportagens em veículos de imprensa.
Com a retratação pública da autora do conteúdo e a retirada do vídeo do ar, o caso passa por uma nova fase, marcada pela revisão das informações inicialmente divulgadas e pelos pedidos de correção encaminhados aos meios de comunicação.
Até o momento, Ana Paula Zantut informou apenas que divulgará uma nova manifestação após concluir uma análise aprofundada da documentação relacionada ao caso.
Notificações a veículos de imprensa
Após a publicação da nota de retratação de Ana Paula Zantut, a WT Administração de Bens Ltda. encaminhou uma notificação extrajudicial aos veículos de imprensa que repercutiram o vídeo da advogada. No documento, a empresa afirma que as reportagens passaram a reproduzir informações “manifestamente equivocadas”, “gravemente distorcidas” e já retratadas pela própria autora do conteúdo, razão pela qual solicita a remoção ou, ao menos, a correção das matérias.
Segundo a notificante, a principal premissa das reportagens estaria equivocada porque o processo judicial relacionado ao imóvel já teria sido definitivamente encerrado, com decisões favoráveis à WT Administração em diferentes instâncias, incluindo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e o Superior Tribunal de Justiça, além de trânsito em julgado e desistência das medidas apresentadas pela parte adversa. A empresa sustenta, ainda, que não existe atualmente qualquer discussão judicial pendente sobre a titularidade ou os direitos relacionados ao imóvel.
A empresa também contesta a associação do caso às figuras de Richarlison e do senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com a notificação, ambos jamais integraram a relação processual e, por isso, a utilização de seus nomes em títulos e no desenvolvimento das reportagens transmitiria ao público uma percepção incompatível com os autos. Conforme o documento, as ações judiciais sempre envolveram pessoas jurídicas distintas, especialmente a empresa Sport70, ligada ao ex-empresário Renato Velasco.
Outro ponto destacado pela WT Administração é que as matérias deixariam de contextualizar aspectos jurídicos considerados essenciais para a compreensão do caso, como o fato de o imóvel estar situado em terreno de marinha, sujeito a regime jurídico específico e à necessidade de anuência da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para determinadas operações envolvendo direitos de ocupação. A empresa afirma ainda que a aquisição dos direitos anteriormente pertencentes à M. Locadora ocorreu de forma regular e que essa cadeia sucessória foi reconhecida pelo Poder Judiciário.
Na notificação, a empresa ressalta ainda que a própria Ana Paula Zantut reconheceu publicamente que seu vídeo continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos do caso, motivo pelo qual apagou a publicação e divulgou uma retratação. Para a WT Administração, esse fato cria um dever editorial de revisão das reportagens que utilizaram o conteúdo como fundamento, evitando a continuidade da divulgação de informações que a própria fonte originária deixou de sustentar.
Por fim, a empresa requer a retirada ou a atualização das reportagens, pedindo que eventual cobertura futura esclareça que Richarlison e Flávio Bolsonaro não integraram a relação processual, que a controvérsia judicial estaria encerrada por decisões transitadas em julgado favoráveis à WT Administração e que houve retratação pública da advogada cuja manifestação serviu de base para parte da repercussão do caso. A notificante também solicita a preservação de registros editoriais e informa que, caso as providências não sejam adotadas, poderá buscar judicialmente medidas como direito de resposta, obrigação de fazer, tutela inibitória e reparação por eventuais danos decorrentes da manutenção das publicações.