Estádios vazios após a Copa do Mundo
Redação DM
Publicado em 26 de março de 2015 às 03:12 | Atualizado há 11 anosEly Assis Da editoria de Economia
Se alguém tinha dúvida da senhora Fifa (assim como a presidente Dilma chamou a corrupção de senhora idosa), nesta reportagem está claro a “cara” dela. Se ela fosse uma entidade séria, a altura da reputação que construiu ao longo dos anos, graças ao futebol, diga-se de passagem, com certeza não seria esta a postura da federação. Ao invés de zombarias dos cartolas, como eles disseram nesta reportagem: “o problema é de vocês”, relativo aos estádios vazios. Deveria ser o papel da Fifa promover uma parceria com o Brasil no sentido de fornecer o know-how que ela possui com estádios e eventos em geral, apoio logístico e o que mais ela puder. Ou seja, tudo… menos lavar as mãos e zombar do País.
Menos de um ano depois da Copa do Mundo, que rendeu um lucro recorde para a Fifa, a entidade não quer nem ouvir falar do Brasil. Nesta semana, a Fifa reuniu a sua cúpula em Zurique e, na agenda, apenas os mundiais de 2018, 2022 e 2026. Questionados pela reportagem, se haviam discutido os estádios vazios do Brasil, os cartolas foram claros: “Esse problema é de vocês”.
Para a Fifa, o Brasil de fato garantiu a “Copa das Copas”. A renda e os lucros bateram todos os recordes, como o jornal Estado de S.Paulo revelou na quinta-feira. No total, a receita chegou a quase R$ 16 bilhões e os lucros superaram a marca de R$ 8,3 bilhões. A copa foi o evento esportivo mais lucrativo da história.
Mas esta renda não voltou ao Brasil e apenas 2% da receita serão distribuídos em projetos sociais e de desenvolvimento do futebol no País. Enquanto isso, pelo menos seis dos 12 estádios estão com sérias dificuldades para se financiar, fecharam ou foram pegos no meio de escândalos de corrupção.
Para a Fifa, porém, esse é agora um problema do Brasil. Walter de Gregório, diretor de Comunicações da entidade e que percorreu o País antes da copa para convencer a todos de que o Mundial era um grande negócio, agora silencia quando questionado sobre o que fazer com os estádios vazios. “Não tratamos de Brasil”, afirmou.