Avós da Praça de Maio desmentem que fundadora tenha achado neta roubada
Redação DM
Publicado em 26 de dezembro de 2015 às 06:15 | Atualizado há 11 anosBUENOS AIRES – Após o anúncio de que a longa busca de uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio e ex-presidente do grupo havia encontrado sua neta roubada pela ditadura argentina (1976-1983), o grupo desmentiu nesta sexta-feira que a ativista Chicha Mariani tenha encontrado Clara, que procura há 39 anos.
A jovem que seria Clara foi na quinta-feira na casa de Mariani com uma análise genética positiva emitida por um laboratório particular. No mesmo dia, a ex-presidente do grupo divulgou o reencontro com sua neta através da rede social Facebook e inclusive divulgou imagens do reencontro.
“Podemos constatar a existência de estudos do Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) nos quais se descarta a existência de um vínculo filial com a jovem”, disse o grupo num comunicado. “Houve dois testes nos quais se descartou que a jovem seja Clara Anahí Mariani Teruggi.”
Os pais de Clara, Daniel Mariani e Diana Teruggi, foram assassinados durante a ditadura que deixou 30 mil desaparecidos no país, por participação em grupos clandestinos de esquerda. Ela foi roubada quando tinha três meses de idade.
O caso do sumiço ficou conhecido em todo o mundo através da difusão de cartas abertas escritas por Chicha Mariani, hoje com 91 anos, a sua neta. Quase cega, ela ainda escreve as correspondências. Chicha comandou as Avós durante 12 anos, de 1977 a 1989.
Clara é a 120ª dos netos encontrados até o momento. Mais de 500 seguem sem identificação. A maioria deles foi criada por famílias campesinas, após ordens da ditadura de se desfazer dos bebês.