Brasil

Goiás e seu magnânimo espólio de preservação cultural

Redação DM

Publicado em 29 de dezembro de 2015 às 00:28 | Atualizado há 11 anos

Partindo do pressuposto de que a identidade de um povo baseia-se nas crenças, costumes, mitos, lendas, superstições e artes, afirmo que ser caipira é mais que ser um homem do campo: ser caipira é acordar todos os dias cumprindo a missão de levar a todos os cantos do País a identidade de um estado cuja cultura, assim como sua localização é o centro do Brasil. O caipira, embora seja compreendido como “atrasado” devido ao seu jeito rude, simples, e por seus dialetos muitas vezes incompreensíveis, é ele o responsável por, em suas mãos calejadas e saturadas de machucados, carregar o futuro de uma cultura que cada dia se torna mais obsoleta.

Com o passar dos tempos e com o avanço tecnológico, as lembranças têm se tornado efêmeras. Isso, pois, a tecnologia tem-nos feito adquirir suposições que sufocam o significado real de arte e cultura. Além disso, até mesmo no âmbito escolar, é nos imposto que apenas o erudito é arte, apenas o letrado ou o culto é sábio e que o sertanejo não passa de um ignorante cujas raízes transformaram-no num símbolo regional.

Ora, ignorante é aquele que delimita o conceito de cultura, fazendo com que este abranja apenas os matraqueados. Mascotes são aqueles que tapam seus olhos a fim de olhar apenas para aquilo que aos seus olhos parece agradável. O verdadeiro culto sabe, sobretudo respeitar e compreender a força que as raízes têm sobre o moderno. Tratar o sertanejo como uma cultura inferior é o mesmo que depreciar a importância do índio na formação da cultura Brasileira. Torna-se cada vez mais ignorante aquele que julga o homem pela sua simplicidade sem saber daquilo pelo que ele tanto luta – no caso do caipira/sertanejo: preservação da cultura goiana.

Saliento que embora exiba esta simplicidade de homem do campo, Goiás, com suas pequenas árvores de troncos torcidos e recurvados e seus rios formadores de praias arredadas do litoral, ostenta a luxúria de suas belas paisagens onde se esconde segredos formadores de gerações.

As histórias contadas por nossos avós são grandes formadoras de valores.  As lendas de Romãozinho, Negro D’água, a lenda do selvagem cabeludo, conhecido como Pé de Garrafa, e outros malévolos que são basilares para a formação do nosso opulento folclore, são exemplos de cultura responsável por formar pessoas. O folclore goiano, desde sempre tem formado gerações… Suas histórias contadas e recriadas em cada linhagem cortam o estado de norte a sul e representam o passado de grandes cidades goianas.

Além dessas lendas, inúmeras atividades goianas contribuíram e contribuem para a constituição deste imensurável repertório folclórico e cultural que Goiás tem como legado, tais como a procissão do fogaréu, na cidade de Goiás, onde ao de som de tambores e às luzes de tochas é feito um ritual que simboliza a procura e a prisão de Cristo. Também, as Cavalhadas de Pirenópolis – oriundas da cultura portuguesa – que trazem à tona as lutas por conflitos religiosos vivenciados outrora por Portugal – país responsável pela povoação de Goiás.

O estado de Goiás, em seu magnânimo espólio de preservação cultural, tornou-se uma fonte inesgotável de sapiência. Oferecendo ao seu povo, uma coletânea de expressões que o torna cada vez maior no que refere à cultura popular. Por conseguinte, deduz-se que, Goiás, no coração do Brasil, é o estado onde a prosa prevalece; o saber empírico se sobressai; a cultura predomina; o folclore forma gerações; e o caipira é mais que um símbolo: ele é o protagonista de uma cultura invejada e repleta de riquezas e valores.

 

(Lucas Hemetério, estudante – [email protected])

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