Desativada 2

“Uma referência, um ídolo à moda antiga”

Redação DM

Publicado em 10 de abril de 2016 às 01:44 | Atualizado há 10 anos

Em 9 de abril de 1970 nascia Alexandre Magno Abrão, aquele que mais tarde viria a se tornar um dos grandes ícones do rock nacional, à frente da banda santista Charlie Brown Jr. O grande amigo de Chorão, Champignon, acompanhou o cantor desde sua primeira banda, a Whats Up, quando Chorão tinha 17 e Champignon apenas 12 anos, que não deu muito certo. Foi mesmo ao lado de Marcão, Pelado, Thiago Castanho e posteriormente Tadeu, que Chorão e Champignon viveriam a melhor época de suas vidas.

Alexandre, ou Chorão, teve uma infância dura. Era um garoto pobre, filho de doméstica, com frequentes problemas relacionados à evasão escolar e a polícia. Estudou até a sétima série, e era nas pistas de skate da cidade de Santos – que adotou como lar oficial ao se mudar para lá aos 17 anos – que ele se encontrava. Chorão foi o principal compositor das centenas de músicas que coloriram os dez discos do Charlie Brown Jr. A banda chegou a vender mais de cinco milhões de cópias durante sua existência, que teve fim em 2013 após as mortes de Chorão e Champignon. Além de cantor, compositor, skatista, Chorão era também roteirista. Escreveu o roteiro de O Magnata, longa-metragem brasileiro, dirigido por Jhonny Araújo em 2007 e estrelado por Paulinho Vilhena no papel principal. Grande parte da trilha sonora do longa-metragem era de autoria da banda Charlie Brown Jr.

No dia primeiro de dezembro de 2012, com a turnê Música Popular Caiçara, o CBJr passava por Goiânia, depois de aproximadamente sete anos longe do público goianiense. Durante a apresentação, o cantor parecia abatido. A recente separação de sua companheira Graziela, com quem esteve casado durante quinze anos e o fato de sua mãe, uma senhora que acabara de perder a aposentadoria por invalidez, que recebia desde que Chorão tinha 14 anos, quando ela sofreu um derrame cerebral, e já era separada do marido e pai do artista, foram alguns dos motivos que, segundo ele, o chateavam naquela noite. Desculpou-se com o público e continuou o show.

Baseados eram trocados entre a banda e a plateia, copos de cerveja voavam pelos ares, fazendo cascata sobre os jovens embriagados de euforia. Eu estava lá, vi e ouvi coisas das quais, tanto eu quanto os demais presentes, jamais nos esqueceremos. Um fã, cujo nome me falha a memória, conseguiu subir ao palco e pediu para cantar com o ídolo. Chorão atendeu o pedido, no fim do duelo (não, não era um dueto), o cantor convidou o jovem goianiense a participar de seu novo álbum, La Familia 013, que já estava em andamento. Ambos não tiveram tempo de concretizar oficialmente a parceria.

Chorão morreria três meses depois, em seu apartamento em São Paulo, vítima de overdose de cocaína. O uso excessivo da droga seria também o motivo para a separação do casal Chorão e Graziela. O disco La Família 013 foi concluído e lançado após a morte do cantor. 013 faz menção os código de área (DDD) da cidade de Santos, onde se consolidou a banda. Chorão morreu aos 43 anos de idade, sozinho. Seu corpo foi encontrado caído em seu apartamento. Vestígios de cocaína e garrafas de refrigerante estavam espalhados no local. O artista morreu daquilo que viveu e o inspirou a compor suas mais belas músicas: o amor por Graziela.

Entre as características principais do CBJr, além da atitude e irreverência, era o shake que misturava o hard rock com o MPB (Proibida pra Mim, composição de Chorão e Zeca Baleiro), com o reggae (Zóio de Lula), com o rap, com o skate punk.

Acontece hoje, em Vitória uma homenagem ao cantor. O Primeiro Festival de Skate e Música Chorão eterno contará com campeonatos de skate e apresentações artísticas. Apresentam-se as bandas Beat Locks (cover Charlie Brown Jr), Benirrana (cover Raimundos), Faia Roots e Navera.

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