Bolsonaro foca em Vitor Hugo e esvazia Baldy e Mendanha
Redação DM
Publicado em 8 de dezembro de 2021 às 15:16 | Atualizado há 5 anos
Após se filiar ao PL com “carta branca” para definir os candidatos a governador e senador, o presidente Jair Bolsonaro já age em relação ao futuro do seu partido em Goiás às eleições de 2022.
Como havia feito durante o ato de ingresso no PL, em Brasília, no último dia 30, o presidente dá demonstrações de que quer o atual deputado federal Major Vitor Hugo na disputa por cargo majoritário em Goiás – governador ou senador.
Ao vetar a nomeação de Alexandre Baldy (Progressistas) para a coordenação política do Ministério da Economia, Bolsonaro esvazia o projeto do ex-ministro de concorrer ao Senado Federal ano que vem. As ligações políticas de Baldy com o governador de São Paulo João Doria foi usadas como “pretexto” pelo Palácio do Planalto para não dar “palanque” ao político goiano.
Mesmo sendo Baldy uma indicação do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente nacional do Progresistas, ao ministro Paulo Guedes, Bolsonaro preferiu “retaliar” um possível aliado político em Goiás. O PP, que tem dois deputados federais – Adriano do Baldy e Professor Alcides – integram a base governista no Congresso Nacional.
Jair Bolsonaro também tem restrições à candidatura de Gustavo Mendanha (ex-MDB, sem partido) ao governo de Goiás, conforme revela o deputado Vitor Hugo. É que o prefeito de Aparecida de Goiânia não assume posições em defesa das ideias e das propostas do “bolsonarismo”, além de ter proximidade com legendas de esquerda. PT, PSB, PC do B, PV e PDT ocupam cargos no secretariado de Mendanha.
O presidente já avisou a Valdemar Costa Neto, manda-chuva do PL nacional: ele vai escolher, “a dedo”, os candidatos do partido a governador e senador nos 26 estados e no Distrito Federal.
Embora a direção nacional do PL tenha mantido o empresário Flávio Canedo na presidência do partido em Goiás, Bolsonaro alerta que a sua preferência é pela candidatura majoritária de Vitor Hugo, que ainda não se filiou à legenda.
O ativista de redes sociais Gustavo Gayer, filiado ao DC, pode ter respaldo do grupo de Bolsonaro para disputar vaga ao Senado. Gayer defende candidatura de Vitor Hugo ao governo e rejeita a de Gustavo Mendanha.
Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto defendem a permanência do casal Flávio Canedo/Magda Mofatto no PL goiano, entretanto, deixam claro que as candidaturas a governador e a senador terão que ter o “crivo” do Palácio do Planalto.
Sem o respaldo do bolsonarismo, o prefeito Gustavo Mendanha busca outras alternativas partidárias para concorrer ao governo de Goiás. Conversa com o PTC, Pros, Podemos, Patriota e Republicanos. Ele tem prazo até 3 de abril para decidir nova legenda ou mesmo se irá renunciar ao cargo de prefeito de Aparecida de Goiânia.
Aliado de Caiado
Após ser preterido pelo Palácio do Planalto, Alexandre Baldy buscar aproximar ainda mais o Progressistas do União Brasil (DEM e PSL), que terá o governador Ronaldo Caiado como futuro presidente. O ex-ministro coloca seu nome como pré-candidato ao Senado pela chapa governista, mesmo sabendo que a futura aliança caiadista dispõe de outros pretendentes, como Henrique Meirelles (PSD),João Campos (Republicanos) e Delegado Waldir (União Brasil).
Baldy nega que tenha atuado junto ao ministro Ciro Nogueira para assumir cargo no Ministério da Economia, sob o argumento de que não é razoável ser nomeado em dezembro e posteriormente exonerado no início de abril.
A presença de Baldy na equipe federal serviria para dar “maior visibilidade” do presidente do PP goiano ao seu projeto de concorrer ao Senado, avaliam lideranças políticas locais.
O ex-ministro das Cidades do governo Michel Temer e ex-secretário de Transportes Metropolitanos do governo paulista de João Doria tinha a expectativa de ocupar novamente uma cadeira na Esplanada dos Ministérios, no primeiro ano do governo Bolsonaro. Chegou a tratar do assunto com o senador Ciro Nogueira, com o então presidente da Câmara Rodrigo Maia e também com o atual presidente do Legislativo Arthur Lira.
O presidente do PL de Goiás, Flávio Canedo e a deputada federal Magda Mofatto receberam a garantia de Valdemar Costa Neto e do presidente Jair Bolsonaro que não haverá intervenção na direção do partido no estado. “Estamos trabalhando para reforçar o PL em torno do projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro e eleger expressivas bancadas de deputado federal e estadual”, afirma Canedo.
Vitor Hugo: direção do PL precipita
ao escolher Mendanha ao governo
Para o deputado federal Vitor Hugo (PSL), a direção regional do PL se precipitou ao escolher o prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (sem partido) como pré-candidato ao Governo de Goiás.
O parlamentar bolsonarista tem ressaltado em todas as suas entrevistas que, assim como o atual governador Ronaldo Caiado (DEM), Gustavo não é o nome para representar o presidente Jair Bolsonaro em Goiás.
Após a filiação de Bolsonaro ao PL na semana passada, várias costuras locais que já haviam sido iniciados pelo partido foram colocadas em suspensão. Nos bastidores, acredita-se que o grupo do presidente decida intervir na escolha dos candidatos ao governo e ao Senado em Estados chave para a sua reeleição.
Segundo Vitor Hugo, Mendanha nunca demonstrou admiração por Bolsonaro nem abraçou as ideias e conceitos do presidente, ao contrário do que ele espera do candidato do grupo bolsonarista ao Governo de Goiás, que seria uma defesa do presidente com “unhas e dentes”.
O parlamentar diz estar à disposição do chefe da Nação para disputar qualquer mandato em 2022: governador, senador ou deputado federal. “Eu sigo a cartilha de Bolsonaro. Vamos lançar uma chapa conservadora, rebater as ideias da esquerda, mas ao lado de companheiros leais”.
Vitor Hugo ressalta que o presidente vai tomar a decisão, no início do ano, sobre candidatura-raiz ao governo de Goiás, de alguém que vai efetivamente defender as pautas conservadoras. “Não há duvida que os nomes a serem escolhidos para governador e senador no estado serão de pessoas identificadas com Bolsonaro”.
O deputado afirma que é “soldado” do presidente e do projeto dele de direita para o País. “Eu irei jogar na posição que Bolsonaro decidir como mais adequada”.
Vitor Hugo lembra que gostaria de concorrer ao Palácio das Esmeraldas, mas que admite disputar vaga ao Senado ou à Câmara Federal, se essa for a vontade do presidente.
Seguidores
Além de Vitor Hugo e do ativista de redes sociais Gustavo Gayer, o bolsonarismo pretende engrossar as fileiras do PL com a tração de outras lideranças, como os deputados estaduais Humberto Teófilo, Eduardo Prado, Paulo Trabalho e Major Araújo.
A deputada federal Magda Mofatto diz que a filiação de Jair Bolsonaro levará ao fortalecimento do PL nacional e também em Goiás, adiantando que o partido vem sendo procurado por inúmeras lideranças bolsonaristas.
Questionada sobre as críticas de bolsonaristas por causa de seu parecer favorável à prisão do deputado Daniel Silveira (PSL/RJ), no início do ano, a deputada ressaltou que seu relatório foi aprovado por 364 votos no plenário da Câmara. “Isso mostra que houve diálogo para buscar uma definição para esse caso. Não fiz relatório sozinha, aleatoriamente”.
Mofatto reafirma sua trajetória política ao lado do presidente Jair Bolsonaro: “Quem quiser v ir para o Pl e trabalhar para levantar a bandeira de Jair Bolsonaro, terá as portas abertas”.