O controverso envelhecimento no século XXI
Redação DM
Publicado em 2 de dezembro de 2021 às 14:56 | Atualizado há 5 anos
Idoso, velho,
terceira idade, melhor idade, 60 +, experiente, sábio, são características de
parte da população que se destaca no século XXI, isso devido a mudanças
estruturais que a sociedade conjuntural vive. De acordo com Estatuto do Idoso é
considerado idosa a pessoa com mais de 60 anos de idade. O referido documento preconiza
em seus artigos direitos fundamentais, sociais no tocante à vida e atuação, participação
da pessoa Idosa, respeitando o direito humano e personalíssimo de envelhecer. A
Carta Magna de 1988 aponta que a família, a sociedade, o poder público são
responsáveis por cuidar dessa faixa etária, sendo a família seu principal
responsável.
Diante das
legislações postas, cabe a reflexão de como deve ser sobreviver na condição de idoso
nessa sociedade conjuntural, de que maneira a família trata esse ser social em
sua residência. Diante da extensão territorial do País, dinamicidade da
economia em caos, diferenças de classes sociais, desiguais, onde alguns contam
salários abastados, a maioria instalada no salário mínimo e programas estatais
de mínimos sociais, os órfãos de recursos entram na fila da miséria da razão, a
catar ossos e sobras buscando se alimentar. Fator histórico, as mazelas da
sociedade se apresentam, toda família conta um idoso, muitas, incapazes de
suprir vida digna, exigência e direito estabelecido no seu Estatuto.
De acordo com IBGE,
em 2050, o Brasil será o quinto País com a maior população de idosos, no mundo,
O trabalhador que conta, hoje, 29 a 30 anos de idade fará parte dessa população
em um Brasil de desigualdade escancarada, cuja divisão territorial geográfica delimita,
pelo valor de compra, o lugar permitido ao ser social. Nas metrópoles, essa
realidade já separa as classes por meio dos muros que protegem os jardins,
quando, ao lado, e na periferia da urbe os incontáveis amontoados de barracos
dividem pobreza e exclusão a partir da sonegação do saneamento básico, da água
colhida da chuva em latões, debaixo do telhado montado a mosaico de vida e
morte ao que parece, para abrigar. Não há como fazer alusão à categoria do
idoso pobre sem percorrer com conhecimento de causa a realidade, segundo os
mais ricos, inimigos dos programas de inclusão humanitária, via mínimos dos
mínimos sociais, as pobrezas absolutas não existem.
Tem se um Sistema
Único de Saúde (SUS), estrutura teórica lúdica, fragilidades palpáveis. A pessoa
idosa tem direito de prioridade no atendimento expresso em seu artigo 3º, §1º.
Ainda assim persistem os milhares de idosos em filas intermináveis que o
acompanham à morte, dentro ou fora das unidades de saúde. As políticas públicas
que atendem ao foram fragilizadas, o tripé da Seguridade Social, suposto a
entregar a Previdência, Saúde, Assistência Social, tornou-se fetiche de
proteção da pessoa idosa, submetido à ideologia de mercado neoliberal.
Reflexão que não cala: como garantir alguma dignidade à pessoa idosa? De que maneira, quando a família, comunidade, sociedade, poder público irão garantir direitos estabelecidos ao idoso? No mercado da morta, quanto vale o direito à vida, saúde, educação, bem-estar, lazer, cultura, trabalho e moradia? Buscando contribuir com essa população, a eficácia da empatia, o ato de se ver no lugar do outro, enxergar-se idoso, amanhã. A paciência, o olhar centrado, dizer bom dia, boa noite, até mais tarde, lembre-se que existem pessoas invisíveis a seu lado. Dinâmica, a sociedade impulsionou os homens a tornar máquinas produtivas, na qual tudo que é velho, descarta-se, torna-se responsabilidade do outro.
Ao deparar com uma
pessoa idosa a chame pelo nome, estabeleça conexão de respeito, fale devagar,
com clareza, nunca a menospreze, busque se tornar reflexo do futuro que te
aguarda. Enquanto a idade passa que as sociedades estejam atentas, fomentem políticas
públicas sociais, desenhem uma nova trajetória no que refere à dinâmica da vida
do idoso. A participação da comunidade e dos Conselhos de Diretos, são
ferramentas instrumentais essenciais no enfrentamento das mazelas postas, nos
mais variados contextos da coletividade. Dessa importância e resistência, só os
loucos entendem.