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Rachel Sheherazade critica megaoperação no Rio de Janeiro: “Direito de matar?”

Redação

Publicado em 29 de outubro de 2025 às 17:12 | Atualizado há 7 meses

Um dos assuntos mais comentados no Brasil desde a última terça-feira (28), Rachel Sheherazade usou suas redes sociais para opinar sobre a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que tem como objetivo desestabilizar o Comando Vermelho (CV) e prender líderes da facção criminosa.

A jornalista criticou a ação que terminou com mais de 60 mortos e classificou o episódio como “sangrento” e “desastroso”. “A polícia entrou nos complexos para cumprir 100 mandados de prisão, não para cometer 60 execuções. Não tem como colocarmos todos os mortos na vala comum. São 60 criminosos mesmo? E que crimes eles cometeram? Se cometeram esses crimes, foram julgados, condenados pela Justiça? E ainda que fossem julgados e condenados, onde é que está escrito na lei brasileira que o Estado tem o direito de matar pessoas?”, iniciou ela.

“Os que defendem a execução sumária de seres humanos obviamente comemoraram. Para eles, pouco importa quem eram os mortos, se culpados ou inocentes. Pouco importa se entre eles havia um estudante voltando da escola, uma dona de casa na esquina da padaria, um trabalhador. Essas pessoas não têm nome, não têm rosto, e principalmente, não têm dinheiro. São favelados, pretos, pardos, desafortunados, desempregados, subempregados, marginalizados. Morrendo muitos, ainda assim, não farão falta. Assim pensam alguns”, continuou.

“A morte dessas pessoas sacia a sede de violência de uma parte lamentável da nossa sociedade. Deixa eu dizer uma coisa: os traficantes do morro são peixes pequenos, os maiores e mais poderosos criminosos andam de jatinho, vivem em condomínios fechados de mansões, almoçam em restaurantes chiques e apertam as mãos de gente graúda de Brasília. Por que o governo não faz operações nesses lugares?”, disse Sheherazade.

Por fim, Rachel afirmou que os policiais também são vítimas. “O policial aprende a odiar a favela de onde veio e não o sistema que aprisiona ele e o traficante na mesma pobreza. No fim das contas, o gatilho quem puxa é o policial, ele é quem suja a mão de sangue, mas a culpa da chacina é de quem manda matar”, concluiu.


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