Política

Bolsonaro encerra primeira semana na PF entre isolamento, rotina controlada e tensão política

Redação Online

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 11:03 | Atualizado há 7 meses

Flávio Bolsonaro levou o livro Metanoia, A chave está em sua mente, que incentiva reconfiguração emocional
Flávio Bolsonaro levou o livro Metanoia, A chave está em sua mente, que incentiva reconfiguração emocional

Isolado em uma sala de 12 m² na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro atravessa sua primeira semana de detenção definitiva. Cruzadinhas, televisão e um livro de autoajuda compõem o pequeno universo que tenta organizar seus dias após a decisão do STF que transformou a prisão preventiva em pena a ser cumprida.

A ida da família rompe o silêncio do confinamento e representa os momentos de maior ânimo do ex-presidente. Michelle Bolsonaro esteve duas vezes na PF; Flávio, Carlos e Jair Renan também entraram na rotina de visitas, levando itens afetivos para amenizar o impacto emocional.

Jair Renan entregou ao pai revistas de palavras cruzadas, passatempo que o acompanha desde os anos 1970, quando publicava cruzadinhas no Estadão. A atividade reaparece agora como um elo emocional em meio ao isolamento imposto por decisão judicial.

Flávio Bolsonaro levou o livro Metanoia, A chave está em sua mente, que incentiva reconfiguração emocional. A leitura pode render remição de pena, e aliados afirmam que o ex-presidente tenta aderir ao hábito de estudo como forma de organizar a mente diante da nova realidade.

Entre telejornais e partidas de futebol, Bolsonaro alterna momentos de recolhimento com breves conversas. Auxiliares relatam reações rápidas às notícias e um estado emocional instável. As crises de soluço se intensificaram e exigiram atendimento médico dentro da cela.

Apesar de inexistirem indícios de risco nas dependências da PF, pessoas próximas ao ex-presidente mantêm desconfiança sobre a origem da comida fornecida pela instituição. Por isso, Bolsonaro só aceita refeições enviadas por Michelle Bolsonaro ou por familiares da primeira-dama.

Do lado de fora, aliados enfrentam resistência no Congresso e dificuldade para avançar na pauta da anistia, considerada prioridade do grupo. O ambiente político se mostra desfavorável desde o início da execução da pena de 27 anos e três meses.

Mesmo abalado com o início da pena definitiva, Bolsonaro recebeu como “menos pior” a decisão do ministro Alexandre de Moraes que manteve sua detenção na PF, afastando a possibilidade de transferência para o Complexo da Papuda, medida vista como um ponto de alívio por aliados.

A Polícia Federal reforçou toda a estrutura de segurança do prédio: instalou película nos vidros para evitar captação de imagens e restringiu a circulação de servidores. Mesmo sob pressão de aliados políticos, o protocolo de visitas permanece rígido, limitado a familiares, advogados e equipe de saúde.

Foto: Reprodução

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