Treta no bolsonarismo: Allan dos Santos ataca Michelle Bolsonaro após crise no PL
Léo Carvalho
Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 11:59 | Atualizado há 6 meses
Declarações de Michelle contra aliança do PL com Ciro Gomes impulsionam ofensiva de aliados do clã Bolsonaro. O partido convoca reunião emergencial para conter a crise interna | Foto: Reprodução/Rede social
A crise interna no bolsonarismo escalou para novas agressões públicas nesta segunda-feira (1º/12), quando o blogueiro foragido Allan dos Santos publicou um vídeo nas redes sociais desferindo ataques severos contra Michelle Bolsonaro. A raiz do conflito está na recente fala da ex-primeira-dama no Ceará, na qual ela desautorizou acordos políticos firmados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e criticou a aproximação do Partido Liberal (PL) com o ex-governador Ciro Gomes.
No vídeo, Allan acusa Michelle de agir sem aval da família e de ignorar o ex-presidente. “Ela não tem nenhum aval dos filhos pra falar o que está falando… Ela está viajando o Brasil inteiro como se o Bolsonaro já estivesse morto. Ela tá cagando pro Bolsonaro”, afirma o foragido. Ele complementa dizendo que até mesmo o nome cotado para 2026, Tarcísio de Freitas, não estaria interessado em mantê-la por perto.
As reações no núcleo do clã Bolsonaro foram imediatas. Os filhos do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro repudiaram publicamente as declarações de Michelle, defendendo que decisões estratégicas do PL devem respeitar, exclusivamente, os acordos previamente autorizados por Jair Bolsonaro. Segundo eles, a intervenção da ex-primeira-dama configura uma afronta ao papel de liderança que cabe ao patriarca.
Reunião emergencial
Diante da escalada da disputa de poder e da exposição pública das divergências, a direção nacional do PL convocou uma reunião emergencial para esta terça-feira (2/12), com a presença de Michelle, líderes da legenda e representantes da ala política articular no Ceará. O objetivo oficial é conter o desgaste, reafirmar unidade interna e definir uma posição institucional para evitar que o racha contamine a preparação do partido para as eleições de 2026.
O episódio evidencia não apenas uma disputa por influência e poder dentro do bolsonarismo, mas também a dificuldade do PL em manter coesão após a prisão de Jair Bolsonaro. A ofensiva de Allan dos Santos consolida uma ala radical, enquanto o embate de bastidores aponta para uma reorganização estratégica onde a voz de Michelle pode ser posta à prova.