Política

Zambelli renuncia para evitar crise entre Câmara e STF; PL planeja discurso político

Redação Online

Publicado em 14 de dezembro de 2025 às 17:55 | Atualizado há 7 meses

Carla Zambelli (PL-SP) decidiu renunciar ao mandato de deputada federal neste domingo (14/12), após articulação política conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta
Carla Zambelli (PL-SP) decidiu renunciar ao mandato de deputada federal neste domingo (14/12), após articulação política conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta

Carla Zambelli (PL-SP) decidiu renunciar ao mandato de deputada federal neste domingo (14/12), após articulação política conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio de aliados e da família da parlamentar. A medida busca encerrar o impasse institucional provocado pela recusa da Casa em cumprir a ordem do STF que determinava a cassação imediata do mandato. Com a renúncia, Motta anunciou que dará posse ao suplente Adilson Barroso (PL-SP).

A renúncia ocorreu dois dias após o Supremo Tribunal Federal ordenar a perda automática do mandato de Zambelli, condenada por invadir o sistema do CNJ com o auxílio do hacker Walter Delgatti Neto. Apesar da gravidade da condenação — que inclui dez anos de prisão —, o plenário da Câmara rejeitou a cassação na madrugada de quinta-feira (11/12), desafiando diretamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Líderes do PL afirmam que a saída de Zambelli foi estratégica para preservar a narrativa de que a parlamentar agiu por conta própria, sem ceder à pressão do Judiciário. Segundo Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, a medida permite ampliar a defesa da ex-deputada contra a extradição e reforça a tese de que o julgamento teve viés político.

Zambelli permanece presa na Itália, para onde fugiu após a condenação. A Justiça italiana deve julgar o pedido de extradição na próxima quinta-feira (18/12). Caso aceite, ela será transferida para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

A decisão do STF foi confirmada na sexta-feira (12/12) pela Primeira Turma do Supremo, que considerou a cassação automática uma decorrência da condenação criminal. O ministro Cristiano Zanin declarou que a Câmara apenas deve formalizar a perda de mandato. Com a renúncia, a Corte considera o caso encerrado, mas o desgaste entre os Poderes continua evidente.

Foro: Lula Marques/Agência Brasil

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