Manifestantes protestam contra Congresso e PL da Dosimetria em 17 capitais
Redação Online
Publicado em 14 de dezembro de 2025 às 18:03 | Atualizado há 7 meses
Apesar da mobilização convocada pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, o número de participantes foi inferior ao registrado em setembro
Manifestantes foram às ruas neste domingo (14/12) em ao menos 17 capitais contra o PL da Dosimetria, aprovado na Câmara dos Deputados. O projeto reduz penas de condenados por tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar da mobilização convocada pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, o número de participantes foi inferior ao registrado nos atos contra a PEC da Blindagem, em setembro.
Na Avenida Paulista, em São Paulo, o carro de som ficou em frente ao MASP. Faixas com frases como “sem anistia” e “com esse Congresso não dá” marcaram o tom. O ministro Guilherme Boulos discursou e disse que o Congresso ignorou a vontade popular. No Rio, a manifestação ocupou um quarteirão da av. Atlântica, com shows programados de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Um dos trios carregava bandeira com o rosto de Hugo Motta e os dizeres: “Congresso inimigo do povo”.
Deputados como Érika Hilton e Glauber Braga adotaram tom duro contra o Congresso. Hilton chamou a Casa de “canalha” e afirmou que o povo quer justiça, não anistia. Glauber foi ovacionado ao relembrar a suspensão de seu mandato e afirmou que a esquerda não se calará. Os discursos atacaram diretamente Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara.
Em Salvador, manifestantes marcharam pela orla da Barra com cartazes que chamavam Motta de “covarde e golpista”. Um boneco gigante com seu rosto foi levado durante a passeata. Em Brasília, o ato começou no Museu da República e seguiu até o Congresso. Militantes cobraram a rejeição ao PL da Dosimetria no Senado.
Aprovado na Câmara na última quarta-feira (10/12) por 291 votos a 148, o PL relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP) ainda precisa passar pelo Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), prometeu colocar o texto em votação ainda este ano. Críticos alertam que a proposta pode favorecer também criminosos comuns, apesar de o relator negar.
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil