Cotidiano

Festas de fim de ano elevam em até 50% os casos de intoxicação alimentar em pets

Léo Carvalho

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 09:46 | Atualizado há 7 meses

Alimentos típicos da ceia e mudanças na rotina estão entre os principais riscos para cães e gatos durante o Natal | Foto: Pexels
Alimentos típicos da ceia e mudanças na rotina estão entre os principais riscos para cães e gatos durante o Natal | Foto: Pexels

A Ceia de Natal costuma simbolizar união, mesa cheia e celebração. No entanto, para cães e gatos, o período pode representar um aumento significativo de riscos à saúde. A ingestão de alimentos humanos inadequados está entre as principais causas de intoxicações e emergências gastrointestinais durante as festas de fim de ano.

A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e órgãos de saúde veterinária reforçam a importância da nutrição balanceada para pets. Médicos veterinários alertam que, nas semanas que envolvem o Natal e o Réveillion, os atendimentos por problemas digestivos e intoxicações aumentam entre 30% e 50%.

Apesar do clima festivo, a data pode se tornar crítica justamente porque muitos tutores acabam cedendo aos chamados “olhos pidões” e oferecem alimentos que fazem parte da ceia. Um estudo da Pet Poison Helpline aponta que a exposição a substâncias tóxicas para animais, como chocolate e uvas, atinge seu pico entre os dias 24 de dezembro e 1º de janeiro. No caso das uvas-passas, a ingestão de apenas 2,8 gramas por quilo de peso corporal do cão pode desencadear insuficiência renal aguda.

Alimentos comuns da ceia estão entre as principais causas de intoxicação em pets | Foto: Pexels

Segundo a médica veterinária Sandra Oliveira, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio Goiás, a ceia natalina reúne diversos fatores de risco. “Muito do que é delicioso para o paladar humano resulta de preparos tóxicos para o organismo dos pets. Alimentos gordurosos, por exemplo, causam um pico de estresse no pâncreas. Cada decisão tomada, da oferta de um osso à presença de alimentos gordurosos, influencia diretamente na saúde e no comportamento dos animais”, afirma.

Os cuidados, de acordo com a especialista, não se restringem à alimentação. O ambiente também exerce forte influência no bem-estar dos animais. “Estímulos visuais de uma mesa farta e o cheiro forte de temperos podem gerar ansiedade e apetite excessivo. É imprescindível manter o lixo fechado, a mesa inacessível e ofertar exclusivamente petiscos formulados para os animais”, orienta.

Foguetório de Natal e Réveillion

Outro ponto sensível durante as festas é o excesso de barulho, incluindo fogos de artifício. A recomendação é oferecer espaços mais silenciosos e protegidos do som. “Nós humanos estamos ansiosos por uma festança de final de ano, entretanto nossos pets gostam mesmo é de suas rotinas intocáveis”, ressalta.

Sandra Oliveira também chama atenção para o impacto da iluminação intensa, do aumento de pessoas no ambiente e dos odores diferentes. “Nossa função é garantir que a alegria da festa não se transforme em sofrimento para eles”, explica. Para a veterinária, a manutenção de uma rotina alimentar segura e o controle dos estímulos contribuem não apenas para a saúde de cães e gatos mais sensíveis, mas para um convívio mais equilibrado durante as comemorações.

A criação de espaços que favoreçam o conforto e a autonomia dos animais também é apontada como essencial. “Recipientes de água sempre cheios e um cantinho de descanso contribuem para o senso de controle e bem-estar psicológico”, destaca Sandra. Segundo ela, ambientes que respeitam o ritmo dos pets ajudam a preservar a saúde física e emocional, mesmo em datas marcadas por exceções na rotina.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia