Taxa de desemprego cai para 5,2% em novembro e atinge menor nível da série histórica
Léo Carvalho
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 10:59 | Atualizado há 5 meses
Levantamento do IBGE indica que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em novembro de 2025 foi a menor desde o início da série histórica | Foto: Ana Rayssa
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2025, alcançando o menor nível desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012. Os dados foram divulgados, nesta terça-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e confirmam a trajetória de melhora contínua do mercado de trabalho ao longo do ano.
O resultado representa queda em relação ao trimestre anterior, quando a taxa estava em 5,6%, e também frente ao mesmo período de 2024, que registrava 6,1%. A redução veio acompanhada de crescimento no número de pessoas ocupadas e diminuição expressiva do contingente de desempregados no país.
Mercado de trabalho em números
No trimestre encerrado em novembro, o Brasil tinha cerca de 5,6 milhões de pessoas desocupadas, o menor número já registrado pela pesquisa. Ao mesmo tempo, a população ocupada chegou a aproximadamente 103 milhões de trabalhadores, estabelecendo um novo recorde histórico.
O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas trabalhando em relação à população em idade de trabalhar, alcançou 59,0%, também o maior da série. O avanço foi impulsionado principalmente pelo crescimento do emprego com carteira assinada, que atingiu cerca de 39,4 milhões de trabalhadores, reforçando a expansão do trabalho formal.
A taxa de informalidade ficou em torno de 37,7% da população ocupada, com leve recuo na comparação anual, sinalizando melhora gradual na qualidade dos postos de trabalho, ainda que o número permaneça elevado.
A marca de 5,2% consolida uma sequência de mínimas históricas observadas ao longo de 2025. Desde o meio do ano, os trimestres móveis vêm registrando sucessivas reduções da taxa de desemprego, refletindo a capacidade de absorção de mão de obra pelo mercado, especialmente nos setores de serviços e comércio.
O desempenho superou as expectativas médias do mercado, que projetavam uma taxa ligeiramente superior para o período. A combinação entre maior formalização, aumento da ocupação e manutenção da atividade econômica contribuiu para o resultado.
Impactos na renda e no consumo
Com mais pessoas empregadas, o rendimento médio real e a massa de rendimentos pagos aos trabalhadores também avançaram, alcançando níveis recordes. Esse movimento tem impacto direto sobre o consumo das famílias e sobre a dinâmica da economia interna, ao ampliar a renda disponível e estimular a demanda por bens e serviços.
Analistas e enconomistas destacam, no entanto, que o desafio passa a ser a sustentabilidade desse patamar de emprego, sobretudo diante de um cenário econômico que exige atenção a fatores como produtividade, qualificação profissional e estabilidade macroeconômica.
A manutenção da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos dependerá do ritmo de criação de vagas, da continuidade do emprego formal e de políticas voltadas à qualificação da mão de obra. Apesar dos avanços, a elevada participação da informalidade indica que o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais.
Mesmo assim, os dados de novembro confirmam um ano marcado por forte desempenho do emprego no país e colocam o Brasil em seu melhor momento histórico em termos de desocupação.