Cotidiano

Depois da cura da filha, mãe cria rede de acolhimento gratuito para mulheres com câncer em Goiânia

DM Redação

Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 15:52 | Atualizado há 5 meses

Durante o tratamento, Carolina passou a relacionar o adoecimento ao modo como lidava com emoções profundas
Durante o tratamento, Carolina passou a relacionar o adoecimento ao modo como lidava com emoções profundas

O ano de 2016 marcou uma ruptura na vida da psicóloga Maria Cecília Pajaro. A filha, Carolina, então com 30 anos, recebeu o diagnóstico de um tipo raro e agressivo de câncer de mama. A notícia interrompeu planos, suspendeu certezas e obrigou a família a reorganizar a própria existência em torno da sobrevivência.

Durante o tratamento, Carolina passou a relacionar o adoecimento ao modo como lidava com emoções profundas. Em relatos posteriores, afirmou que a experiência trouxe consciência sobre sentimentos ignorados e redefiniu a forma como passou a se enxergar, a se cuidar e a se posicionar no mundo.

Com a recuperação da filha, Maria Cecília encontrou um novo propósito. A psicóloga decidiu atuar de forma voluntária no Instituto de Mastologia e Oncologia (IMO), em Goiânia e oferece atendimento emocional gratuito a mulheres em tratamento contra o câncer de mama.

Pacientes relatam que o apoio psicológico teve impacto direto na travessia do tratamento. Fernanda, que encerrou a quimioterapia recentemente, afirma que o acolhimento permitiu viver o sofrimento sem culpa. Já a enfermeira Emí Tsuchiya, em remissão há seis anos, descreve o grupo de apoio como tão essencial quanto a intervenção médica.

Ao transformar a própria experiência em serviço ao outro, Maria Cecília construiu uma rede de acolhimento que devolve dignidade emocional a mulheres em um dos momentos mais vulneráveis da vida. A trajetória dela revela que o sofrimento não apenas marca, em alguns casos, também orienta.

Foto: Reprodução

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