Veja vídeo: Segurar gases intestinais pode afetar o funcionamento do corpo
Léo Carvalho
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 10:00 | Atualizado há 5 meses
A liberação de gases faz parte do processo digestivo e ajuda o organismo a manter o equilíbrio do sistema gastrointestinal | Foto: Reprodução
Segurar gases intestinais é um comportamento comum em ambientes sociais, no trabalho ou em locais públicos. A prática costuma estar associada a regras de convivência e constrangimento, mas especialistas em gastroenterologia explicam que o hábito não é neutro para o corpo e pode provocar efeitos físicos perceptíveis.
Os gases são produzidos naturalmente durante o processo digestivo. Eles se formam a partir da fermentação de alimentos pelas bactérias presentes no intestino e também da deglutição de ar ao comer, beber ou falar. A eliminação ocorre principalmente por meio da flatulência e dos arrotos, mecanismos normais do organismo para manter o equilíbrio da pressão interna do sistema digestivo.
Quando a liberação dos gases é adiada, o corpo não deixa de produzi-los. O que ocorre é uma redistribuição desse volume ao longo do trato intestinal. Esse deslocamento pode provocar distensão abdominal, sensação de estufamento, dores localizadas e desconforto persistente. Em algumas pessoas, o acúmulo também pode pressionar estruturas próximas, favorecendo episódios de refluxo ou aumento da pressão no abdômen.
Percepção corporal
Médicos explicam que, em situações pontuais, segurar gases não costuma gerar consequências graves. O problema surge quando o hábito se torna frequente. A retenção constante pode alterar o ritmo intestinal, aumentar a sensação de plenitude após as refeições e intensificar quadros de constipação em pessoas predispostas.
Outro ponto observado é o impacto sobre a percepção corporal. Ao evitar a eliminação dos gases, o indivíduo pode interpretar sinais do organismo como dores ou desconfortos sem identificar a causa, o que leva a mudanças na postura, na respiração e até na forma de se alimentar ao longo do dia.
A produção de gases também está relacionada ao tipo de alimentação. Alimentos ricos em fibras, carboidratos fermentáveis, bebidas gaseificadas e produtos ultraprocessados tendem a aumentar a formação de gases. No entanto, especialistas reforçam que a solução não é eliminar esses alimentos, já que muitos são importantes para a saúde intestinal, mas observar a resposta do corpo e manter hábitos que favoreçam o funcionamento do sistema digestivo.
O consenso médico é que a liberação de gases faz parte da fisiologia humana e não representa um sinal de doença quando ocorre de forma regular. O corpo possui mecanismos próprios para eliminar o que não é necessário, e impedir esse processo de maneira recorrente pode gerar desconfortos evitáveis.
A compreensão sobre como o organismo funciona ajuda a reduzir tabus e a interpretar melhor os sinais físicos do dia a dia. A seguir, um vídeo explicativo mostra, por meio de imagens, como os gases se formam, se acumulam e se deslocam pelo sistema digestivo quando não são liberados.