Dormir mal aumenta riscos à saúde e pode encurtar a vida, afirma endocrinologista
Léo Carvalho
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11:47 | Atualizado há 5 meses
Falta de sono adequado compromete funções vitais do organismo e aumenta o risco de doenças ao longo do tempo | Foto: SOMED
Dormir bem não se resume ao ato de deitar e fechar os olhos. A qualidade do sono está diretamente relacionada ao estilo de vida e aos hábitos adotados ao longo do dia, muitas vezes de forma automática e sem percepção dos impactos. Alimentação, rotina de trabalho, uso excessivo de telas, níveis de estresse e respostas hormonais do organismo exercem influência direta sobre o descanso noturno.
Dados da Associação Brasileira do Sono apontam que 65% da população relata problemas relacionados ao sono. Já pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, divulgada em 2023, indica que 72% das pessoas convivem com algum distúrbio do sono, como apneia, insônia ou síndrome das pernas inquietas.
“O sono é um pilar da saúde, mas para dormir com qualidade é importante ter todo um conjunto de hábitos que contribua com isso”, afirma a endocrinologista, metabologista e especialista em neurociências e comportamento, Jacy Maria Alves.Segundo a médica, o funcionamento do organismo ocorre de forma integrada e responde aos estímulos recebidos ao longo do dia, especialmente aqueles ligados ao ritmo biológico. “Um dos principais fatores que interferem na qualidade do sono é o desequilíbrio do ciclo circadiano, responsável por regular os horários de vigília e descanso”, alerta.
Hábitos ruins
Entre os hábitos que afetam diretamente o sono está a exposição excessiva à luz artificial, sobretudo no período noturno. Esse estímulo confunde o cérebro e reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para induzir o sono profundo. “O hábito de usar celular, computador ou televisão até poucos minutos antes de dormir mantém o cérebro em um estado constante de alerta, e isso dificulta bastante o relaxamento necessário para um repouso reparador”, explica a endocrinologista.
A alimentação também tem papel decisivo nesse processo. Refeições pesadas ou ricas em açúcar e estimulantes próximas ao horário de dormir exigem maior esforço do sistema digestivo e interferem na liberação hormonal. “Além disso, o consumo frequente de cafeína e álcool, muitas vezes associado à tentativa de relaxar, pode fragmentar o sono e reduzir o tempo nas fases mais profundas, responsáveis pela recuperação do corpo”, garante a médica Jacy Maria.
Outro fator citado pela especialista é o estresse crônico. Rotinas aceleradas, pressão por produtividade e dificuldade de desacelerar mantêm elevados os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estado de alerta. “Quando isso acontece, o corpo entende que não é seguro descansar, mesmo quando há cansaço físico. Com o tempo, essa condição pode gerar insônia, despertares noturnos frequentes e sensação de fadiga ao acordar”, destaca a especialista.