Megaoperação em Goiás e outros Estados cumpre 471 mandados contra o Comando Vermelho
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 14:02 | Atualizado há 6 meses
Operação cumpriu mandados de prisão, busca e bloqueio de valores ligados ao Comando Vermelho | Foto: PCMT
Policiais civis deflagraram, nesta quarta-feira (15), uma megaoperação em Goiás, Mato Grosso e outros três Estados contra integrantes do Comando Vermelho (CV). A ação cumpriu 471 mandados judiciais e teve como foco crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial, segundo a corporação.
Do total de ordens expedidas pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste (MT), 225 foram de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 determinaram o bloqueio e a indisponibilidade de valores. A Polícia Civil informou que a ofensiva buscou desarticular a estrutura da facção, interromper o fluxo financeiro ilegal e reduzir o poder de atuação do grupo nos Estados investigados.
Estrutura criminosa e esquema financeiro
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste, começaram há pouco mais de um ano e identificaram um núcleo organizado do CV. O grupo possuía divisão de funções, hierarquia interna, controle financeiro e logística própria.
De acordo com a corporação, os investigados mantinham um sistema interno de arrecadação, repasse de recursos e cobrança de dívidas ilícitas. Além do tráfico de drogas, a facção impunha regras internas e atuava em crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A Polícia Civil também identificou movimentações financeiras compatíveis com lavagem de capitais. Parte do dinheiro obtido com o tráfico financiava empréstimos informais a terceiros. Comerciantes apareciam como os principais devedores e sofriam cobranças com juros abusivos.
Segundo a corporação, integrantes de escalão superior supervisionavam o esquema e atuavam como responsáveis externos pelo financiamento ilegal. As cobranças contavam com o apoio do chamado “quadro de disciplina” da facção, responsável por organizar represálias e, em alguns casos, sequestros contra agiotas independentes.
O delegado Rodolpho Bandeira afirmou que a corporação segue com as investigações. Ele destacou que todo o material apreendido passará por análise para embasar novos procedimentos, identificar outros envolvidos e aprofundar a responsabilização criminal e patrimonial dos integrantes da organização.
Para o delegado, a operação representa um avanço no combate ao crime organizado. Segundo ele, a ação fortalece a proteção da sociedade e enfrenta facções que tentam se estruturar no interior do Estado e ampliar a atuação para outras regiões do país.